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Caixa tem quarteirão da Rua do Ouro à venda

O edifício da Rua do Ouro ocupa um quarteirão inteiro na Baixa, muito perto do Terreiro do Paço. Ficou pronto em 1966

Nuno Botelho

Processo faz parte da estratégia de redução de património imobiliário e pode render perto de €60 milhões

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

A Caixa Geral de Depósitos (GCD) está a vender o edifício da Rua do Ouro, um quarteirão inteiro em plena Baixa de Lisboa, muito próximo do Terreiro do Paço. “Estamos a iniciar o processo de comercialização e a colocação em mercado será feita pela [consultora] Cushman & Wakefield”, confirma ao Expresso fonte oficial do banco público.

Trata-se de um dos imóveis mais emblemáticos do portfólio imobiliário da Caixa que, segundo as estimativas dos especialistas neste segmento do mercado, pode valer perto de €60 milhões. Não só por causa da sua localização e dimensão, mas também pelo elevado potencial de retorno de investimento que o novo dono pode ter.

Só não vale mais, notam os mesmos analistas, porque é um edifício que não pode ter garagens, apesar de ter dois pisos em cave, e porque o balcão de atendimento é para manter, o que significa que haverá menos espaço comercial para o novo dono arrendar. Além disso, é um imóvel que vai precisar de muitas obras para se alterar o uso atual de escritórios para habitação ou hotel, o tipo de projetos que os investidores entendem serem os mais rentáveis naquela área da cidade e naquele tipo de imóvel.

Trata-se de um quarteirão inteiro, com uma área de 13.810 metros quadrados distribuídos por sete pisos, dos quais dois são em cave e um são águas furtadas, sendo que, em média, cada piso acima do solo tem cerca de 2 mil metros quadrados. Tem frentes para a Rua do Ouro, Rua de São Julião, Rua Nova do Almada e Rua da Conceição, e foi a principal agência do banco público entre 1966, quando ficou concluído, e até a Baixa deixar, gradualmente, de ser a zona financeira de Lisboa. Recorde-se que além das agências principais e sedes de quase todos os bancos (BCP, Totta e Açores, BPI, BES, etc...), também a Bolsa de Lisboa ficava ali perto, no Terreiro do Paço.

“É um ativo muito apetecível que de certeza terá muitos interessados, principalmente tendo em conta o bom momento que o mercado e a cidade de Lisboa estão a atravessar”, diz um analista que não quis ser identificado.

Ganhos de mais de €300 milhões

A venda do quarteirão da CGD na Baixa não surge apenas porque há uma maior procura e disponibilidade financeira para comprar este tipo de ativos. É verdade que isso contribui para acelerar o processo, aliás, há vários exemplos de negócios que avançaram no último ano e meio precisamente porque o mercado está aquecido. Foi o caso de um quarteirão que o BPI tem também na Baixa, na Rua Augusta, e que está em processo de alienação. Ou dos terrenos da Feira Popular que vão a uma nova hasta pública em setembro, três anos depois da segunda tentativa de venda.

Mas para a Caixa, esta operação insere-se na estratégia de redução de ativos imobiliários que o banco tem em curso.

“Em 2017 vendemos 3100 imóveis com um encaixe de €338 milhões. Entre os imóveis vendidos nesse ano, já pela equipa liderada por Paulo Macedo, destacam-se o Edifício Marconi e o Edifício Santa Maria, ambos em Entrecampos, e o República 50”, diz fonte oficial da Caixa. E este ano já venderam a antiga sede do Caixa BI, um edifício na Barata Salgueiro, em Lisboa, que foi comprado pela seguradora Zurich por cerca de €23 milhões, segundo apurou o Expresso na altura da transação, em fevereiro.

Estas operações fazem parte de uma estratégia de redução de custos. Porque, além do encaixe financeiro, vender estes imóveis também origina “poupanças significativas para Caixa em despesas com eletricidade, água e manutenção do edifício”, adianta ainda fonte oficial em declarações ao Expresso, sem no entanto revelar de quanto poderiam ser essas poupanças.

Processo pode demorar seis meses

Tal como a Caixa revelou ao Expresso, este processo está no início. A escolha da consultora que vai apoiar a venda foi decidida há cerca de duas semanas e agora está a definir quais os investidores — nacionais e internacionais — que vão ser convidados a apresentar as propostas não vinculativas. O banco escolherá depois os candidatos que apresentarem a melhor oferta inicial, e esses terão de entregar uma outra proposta, vinculativa ou final, e dar garantias bancárias ou provas de que têm capitais próprios suficientes para pagar o ativo. Após o que terão de esperar pela análise das ofertas e posterior anúncio do vencedor.

Passa-se então à assinatura do contrato promessa de compra e venda e finalmente à escritura. Todo este processo pode demorar cerca de seis a sete meses, o tempo que demora para se fechar um negócio desta dimensão, já com a escritura feita, explica um consultor do mercado que não quis ser identificado.