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‘Buraco’ da Junqueira vai ser um hotel de luxo

O projeto turístico que vai nascer na zona da Junqueira integra 208 unidades, incluindo 108 apartamentos para venda

Grupo proprietário do Pine Cliffs avança investimentos hoteleiros de €100 milhões em Lisboa e no Porto para os inaugurar em 2019 e 2020

Em Lisboa, ao lado do antigo centro de congressos da FIL na zona da Junqueira — e num terreno há anos conhecido como ‘o buraco’, com tapumes à volta — prepara-se para nascer um projeto turístico-imobiliário com hotel e apartamentos de luxo. Envolve um investimento de €70 milhões e deverá ficar concluído em setembro de 2020.

O novo projeto turístico na Junqueira envolve a construção de um edifício de três pisos em forma de u virado para o rio Tejo, cuja obra vai arrancar já em outubro. Ao todo terá 208 unidades e vai ser um misto de hotel com apartamentos, que vão ficar integrados na operação hoteleira. Até ao final de julho, serão lançadas as vendas dos 108 apartamentos (cujas tipologias vão de T1 a T3), a preços de cerca de €1 milhão e já há reservas por parte de clientes de origens diversas, como Brasil, França, China, Turquia, África do Sul ou Médio Oriente, além de Portugal.

“O hotel vai ser um cinco estrelas de nível superior, com uma marca internacional inovadora que entra em Portugal pela primeira vez. Vai ser uma boa novidade para Lisboa”, adianta Carlos Leal, administrador da United Investments Portugal (UIP), grupo proprietário do Pine Cliffs e que é promotor do projeto na Junqueira. Virado para o mercado topo de gama, o hotel vai ter suítes de vários tipos, entre as quais “seis suítes presidenciais que podem ser penthouses, a preços de €2000 a €2500 por noite”, avança ainda o responsável.

O projeto hoteleiro em Lisboa também inclui restaurante, ginásio e um spa de marca Serenity tal como no Pine Cliffs, além de “um roof top bar com piscina e espelho de água no piso de cima, que vai ser fabuloso e com vista para o Tejo”, enfatiza Carlos Leal.

A construção do complexo turístico envolve uma área de 25 mil metros quadrados e, como contrapartidas para a Câmara de Lisboa o grupo promotor irá refazer a praça e também construir um jardim de acesso público do outro lado da propriedade.

O grupo detentor do Pine Cliffs assumiu o controlo da propriedade na Junqueira a 22 de março, com a aquisição do terreno e que já tinha projeto licenciado, mas que acabou por ser reformulado. A UIP mantém aqui uma parceria com o anterior proprietário, a Fibeira (que detém o Atrium Saldanha, liderada por Armando Martins), através de uma empresa comum designada Realtejo.

Trata-se de mais um projeto na região de Lisboa do grupo proprietário do resort algarvio, após a aquisição do Sheraton Cascais em 2016, que resultou da compra e reformulação do anterior hotel Vivamarinha num projeto que envolveu investimentos de €100 milhões. Em 2017, as receitas hoteleiras do Pine Cliffs cresceram 19% e no Sheraton Cascais deram um salto de 27%.

Novo hotel no Porto nos antigos edifícios da EDP

Além do projeto em Lisboa, a UIP está de momento a avançar em Portugal com investimentos hoteleiros totalizando €100 milhões, o que inclui um hotel no Porto, que representa aqui uma fatia de €30 milhões. “Este ano andámos às compras a sério”, nota o administrador do grupo.

No Porto, o grupo vai iniciar já em setembro a obra do hotel que ficará instalado em dois antigos edifícios da EDP, por cima da zona da Trindade e junto à sede do Jornal de Notícias. A propriedade foi adquirida a 100% pelo grupo do Pine Cliffs em abril, e também já tinha um projeto turístico aprovado, que está atualmente a ser reformulado pelo arquiteto Nuno Leonidas.

O novo hotel do grupo no Porto vai ter 149 quartos e categoria de quatro estrelas superior, sendo também operado por uma marca internacional que assim marcará a sua estreia na Península Ibérica, mas que Carlos Leal ainda não quer revelar. “Vai ter também restaurantes, salas de reuniões, ginásio, um Spa Serenity e um roof top no 10º piso com vista sobre os Aliados e quase até à Ribeira”, adianta o administrador.

Para a sua conversão em hotel, as antigas torres da EDP vão ser sujeitas a profundas obras. “Vamos partir tudo por dentro e refazer as infraestruturas, só ficam os pilares e as vigas”, refere o responsável. A previsão de início de abertura do hotel é outubro de 2019. “Quero ir lá passar a passagem do ano em 2019, tal como quero ir ao de Lisboa passar a de 2020, é o desafio que eu próprio me coloquei”, garante o responsável.

Ter uma presença hoteleira relevante em Lisboa e no Porto era uma meta definida pelo grupo detentor do resort no Algarve. “Lisboa tem capacidade para mais projetos, e estamos de momento a estudar mais oportunidades de investimento”, avança Carlos Leal.

O que o preocupa aqui são os estrangulamentos ao nível dos aeroportos de Lisboa e de Faro (ver caixa). “O aeroporto de Lisboa já está para lá de sobrelotado, não tem por onde esticar. E a nossa linha aérea nacional abandonou o Algarve. Temos de ter cuidado em turismo, assim não há maneira de as pessoas chegarem a Portugal.”