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Milionário francês contrata Sotheby’s para atrair estrangeiros ricos

Miguel Poisson, da Sotheby’s, e José Cardoso Botelho, da Vanguard (empresa do milionário francês Claude Berda), no topo do edifício nº 11, na Rua Conselheiro Fernando de Sousa, nas Amoreiras

Tiago Miranda

O prédio das Amoreiras já foi de escritórios mas, daqui a dois anos, só terá apartamentos topo de gama

O mercado imobiliário nunca esteve tão quente e os preços das casas nunca estiveram tão altos como agora, em Portugal — com Lisboa a bater um recorde de €22 mil por metro quadrado, como o Expresso noticiou na semana passada. Mas, a cereja no topo do bolo, é que “há claramente mais procura do que oferta”, diz Miguel Poisson, diretor-geral da Sotheby’s para Portugal.

O gestor e consultor imobiliário não consegue disfarçar o sorriso largo, no topo do nº 11 da Rua Conselheiro Fernando Sousa, nas Amoreiras, em Lisboa, enquanto aperta a mão a José Cardoso Botelho, também ele sorridente, em representação da Vanguard — empresa do multimilionário francês Claude Berda — que tem atualmente em curso investimentos imobiliários que ultrapassam os €1,2 mil milhões em Portugal.

Na cobertura do prédio das Amoreiras, que se vai chamar “A Tower”, celebra-se o contrato de exclusividade agora firmado entre a conceituada leiloeira Sotheby’s (com forte presença no imobiliário) e a empresa do homem que, atualmente, mais investe em Portugal — e que promete continuar atento a novas oportunida-
des, segundo Cardoso Botelho.

O prédio, onde os dois gestores agora bebem champanhe, já foi de escritórios mas, daqui a dois anos, estará completamente diferente. Vai acolher 38 apartamentos de luxo, distribuídos pelos 16 andares. O Expresso sabe que uma das casas mais caras do edifício já foi vendida e que o comprador é português.

Com a associação da Vanguard à Sotheby’s, os imóveis vão passar a ser comercializados à escala global. Na verdade, segundo Miguel Poisson, esta consultora está já a ultimar os preparativos para um roadshow mundial, que vai mostrar as casas de luxo que se estão a construir em Portugal em países como Brasil, Dubai, França, Índia, Estados Unidos da América e China.

Casas de luxo para investidores de arte

Mas não é tudo. A casa Sotheby’s internacional, vai disponibilizar a Miguel Poisson uma lista de 12 mil contactos de compradores regulares de obras de arte que, “por acréscimo, poderão estar interessados em associar casas de luxo ao seu portefólio de investimentos”, explica o gestor.

Sobre o prédio das Amoreiras, Miguel Poisson acrescenta que, além da venda já efetuada de uma das casas mais caras do condomínio, há pelo menos já mais 12 interessados em adquirir ali apartamentos. Entre os compradores potenciais há vários portugueses mas também alguns estrangeiros.

“Lisboa está, definitivamente, na rota dos investimentos imobiliários à escala global. Há agora uma notoriedade que o país não tinha há meia dúzia de anos”, nota o responsável da Sotheby’s.

Explica que o mercado imobiliário anda muito de mão dada com o turismo e, como o turismo está a crescer como nunca, em Portugal, o imobiliário foi atrás. “O facto de este ano voltarmos a ser eleitos como o melhor destino, a existência da Web Summit, a realização de, cada vez, eventos internacionais e até aquele anúncio da onda gigante que agora está à vista de milhares, todos os dias, na Times Square, em Nova Iorque, tudo isso ajuda à construção de uma imagem que Portugal não tinha”.

Por falar nos Estados Unidos, Miguel Poisson garante que, daqui a dois anos, “os norte-americanos vão ser, provavelmente, os principais compradores de casas em Portugal. Há cada vez mais gente VIP (classe endinheirada e com cargos de topo) a não se identificarem com o panorama atual dos Estados Unidos e, naturalmente, procuram outros sítios para viver. Portugal está claramente na mira e, exemplo, disso pode ser, entre outros, o da cantora Madonna, que agora reside em Lisboa”.

EUA serão o próximo grande cliente

O responsável da Sotheby’s garante que já mediou vários casos de negócios de compra de casa em Portugal por parte de famílias norte-americanas. Mas também já vendeu casas de luxo a clientes sul-africanos, suíços, libaneses, entre muitas outras nacionalidades. Frisa que 70% dos seus clientes são estrangeiros.

“As pessoas de fora que têm muito dinheiro olham cada vez com mais atenção para a qualidade de vida que se pode ter em Portugal”, sublinha Cardoso Botelho, diretor-geral da Vanguard. Acrescenta que, em 2015, vários franceses da lista dos 10 mais ricos daquele país nunca tinham vindo a Lisboa, apesar de todos terem jatos privados. “Agora começaram a vir até cá e alguns já compraram casa em Lisboa”.

E o mais curioso, segundo o diretor da Vanguard, é que “muita gente (estrangeira) que está a comprar casa em Portugal, compra para viver e não apenas para investir ou para a ter ali para um ou outro fim de semana”.