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Desesperadamente à procura de terra

Luís Mesquita Dias numa plantação de cebolinho em Odemira

D.R.

O consumo de saladas está em alta e a Vitacress quer triplicar a área de cultivo biológico no Alentejo

Quando uma empresa se vê obrigada a desacelerar o esforço de vendas para os mercados internacionais devido à falta de capacidade produtiva, algo de estranho se passa. Mas foi exatamente isso que aconteceu, no ano passado, com a empresa de produção de saladas Vitacress Portugal.

Na verdade, 2017 foi o melhor ano de sempre da empresa e, segundo Luís Mesquita Dias, diretor-geral, só não foi melhor porque, na verdade, a capacidade de produção não dava para crescer mais. “Estamos desesperadamente à procura de terra para cultivar, essa é que é a questão. Queremos crescer e precisamos de mais terra para as nossas plantações”.

O gestor sublinha que esta semana a empresa assinou um contrato para mais 50 hectares de terra, em Odeceixe, para juntar aos 260 que já possui em Odemira (e aos 20 que tem no Algarve), mas que continua a precisar de mais área de cultivo, pois a produção não chega para as encomendas.

Metade das terras que a empresa cultiva são arrendadas e os outros 50% comprados. O ritmo de trabalho é tal que “todos os dias semeamos e todos os dias colhemos”, enfatiza o diretor-geral da Vitacress.

O que se passa, segundo aquele responsável, é que não só o consumo de saladas no mercado nacional está a crescer como há cada vez mais apetência pelas saladas alentejanas nos países do norte da Europa, onde dantes era mais difícil penetrar, sobretudo devido à distância. Acontece que agora a empresa está a conseguir prolongar o prazo de validade (para consumo) das saladas embaladas e isso permite colocar os produtos nos países nórdicos quatro dias depois da colheita. Como o prazo de validade é de nove dias, ainda sobram cinco.

O próximo grande passo em termos de vendas para o exterior é a entrada no mercado dos Emirados, mais concretamente no Dubai.

Crescimento de 15%

Em 2017 a empresa — que pertence ao grupo RAR (da família Macedo Silva) — faturou €123 milhões nos cinco centros de produção que detêm em vários países europeus. Só na unidade que possui em Portugal o volume de negócios ascendeu aos €28,5 milhões, um crescimento de 15% face ao ano anterior. Do total da produção em Portugal, 35% seguem para os mercados internacionais.

As 400 pessoas que trabalham para a Vitacress em Portugal, produzem e embalam todos os dias 80 produtos diferentes, com especial destaque para as saldas de folhas bebé — de rúcula, agrião, vários tipo de alface, etc. A empresa de Odemira (onde também possui uma unidade fabril) produz por ano cinco mil toneladas de saladas, das quais embala 15,6 milhões de sacos, 3,3 milhões de molhos de ervas aromáticas e ainda 1200 toneladas de batatas.

Mas a principal aposta da Vitacress nos dias que correm vai para um segmento que está a ganhar terreno em todos os mercados: o da produção biológica. “Temos já 15 hectares neste regime de cultivo e o nosso objetivo é duplicar a área em apenas três anos”. Mesquita Dias espera, só neste segmento, ver a sua faturação passar dos atuais €500 mil para €2 milhões com o aumento da área cultivada.

A empresa, segundo o gestor, é líder de mercado em Portugal, com uma quota de 40%, mas metade da sua produção é para marcas brancas de algumas das maiores cadeias de supermercados.

Mesquita Dias explica que, além da dificuldade em encontrar terra, também há dificuldade em encontrar pessoas para trabalhar, tanto na terra como na fábrica de Odemira.

Ainda assim, a empresa orgulha-se de dizer que consta da lista das 100 melhores empresas para trabalhar — da revista “Exame”. O gestor sublinha que, tanto no campo como na fábrica os ordenados mensais podem rondar os €800 brutos (cerca de €700 líquido), mas acrescenta que todos os meses são atribuídos prémios de produtividade, até €100, mediante as escolhas dos responsáveis por cada secção.

A empresa fornece assistência médica e seguro de saúde aos trabalhadores e Mesquita Dias sublinha ainda a relevância que tem, para o negócio que gere, a interação permanente com as instituições de ensino e de investigação científica.