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Ordenamento do território ganhou peso no combate às emissões de CO2

O IV seminário da EDP, organizado em parceria com o Expresso, em Évora, tinha como tema o impacto das alterações climáticas no sector público. O debate, moderado por João Vieira Pereira (do Expresso), juntou o presidente da Câmara de Évora, Carlos Sá, a vereadora da Câmara de Viseu, Conceição Azevedo, o presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, a vereadora da Câmara de Cascais, Joana Balsemão e ainda o presidente da Águas de Portugal, João Mendes

O IV seminário do setor público, organizado pela EDP e pelo Expresso, reuniu esta quinta-feira em Évora um conjunto de 13 oradores, entre académicos e elementos da administração central e local, para discutir o impacto das alterações climáticas

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

A temática do ordenamento do território e da proteção e limpeza das florestas ganhou maior peso o ano passado depois dos fogos de junho e outubro, que mataram mais de 100 pessoas e destruíram mais de 200 mil hectares. Mas o abandono das terras não tem como consequência única o aumento do risco de incêndio. Ele tem também impacto nas emissões de CO2 e nas alterações climáticas.

Esta foi, por isso, uma das principais questões debatidas no IV seminário do setor público, organizado pela EDP e pelo Expresso, esta quinta-feira em Évora que tinha como tema o impacto das alterações climáticas.

Para todos os 13 oradores presentes no encontro, a gestão dos territórios e a sua limpeza é essencial para mitigar as emissões de CO2 que depois vão provocar as alterações climáticas e, consequentemente, provocar eventos extremos como as secas ou as cheias que depois podem provocar fogos. É um ciclo vicioso.

“Se não controlamos os incêndios florestais é mais difícil descarbonizar e reduzir as emissões de CO2”, disse o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e presidente do Conselho Nacional do Ambiente, Filipe Duarte Santos.

A descarbonização foi, precisamente, o outro grande tema desta conferência, porque esse é um dos caminhos para combater as alterações climáticas e os seus efeitos negativos, que são cada vez mais extremos de ano para ano.

O aumento da área de floresta foi apresentado como uma das formas de descarbonização, bem como a aposta nas energias renováveis e na eletrificação dos transportes, ou ainda a mobilidade autónoma e o ordenamento adequado das cidades. Na verdade, o ideal é que todos os sectores da economia se juntem para que discutir o tema e haver resultados reais.

Porque mesmo Portugal estando no bom caminho, com um grande peso das renováveis na produção de energia, ainda há um longo caminho a percorrer porque as metas que foram estabelecidas politicamente após o Acordo de Paris são das mais exigentes entre todos os países da Europa.

De acordo com a investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade Nova de Lisboa, Patrícia Fortes, o Governo assumiu uma das missões mais exigentes ao querer atingir em 2050 a neutralidade carbónica. Ou seja, que as emissões emitidas sejam iguais às emissões que são mitigadas ou captadas pelas florestas.

Mas além das medidas de mitigação das emissões de CO2 há um outro trabalho que todos os que estiveram presentes na quinta-feira entendem ser relevante: o de tomar medidas de adaptação às alterações climáticas. Até se questionou o que seria mais relevante fazer, se reduzir as emissões se tomar medidas para nos adaptarmos e em qual delas se deve aplicar mais dinheiro ou se deve investir primeiro. Mas não houve uma resposta única e transversal a todos.

Leia mais sobre este encontro na edição deste sábado o jornal Expresso.