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Nordeste Transmontano reclama prolongamento do IP2 até à fronteira

Numa altura em que o Governo está a pedir aos municípios contributos para os investimentos a fazer no quadro comunitário de apoio 2030, os municípios de Macedo de Cavaleiros e Vinhais pedem uma nova ligação a Espanha

Os municípios de Macedo de Cavaleiros e Vinhais, no distrito de Bragança, reivindicam uma nova ligação na região, que passa pelo prolongamento da estrada IP2 até à fronteira com Espanha, na zona da Galiza, divulgaram esta sexta-feira as autarquias.

As assembleias municipais dos dois concelhos já aprovaram moções por unanimidade com a reivindicação, justificada numa altura em que o Governo central está a pedir aos municípios contributos para os investimentos a fazer no quadro comunitário de apoio 2030 e concretamente no Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT).

A nova reivindicação surge depois de há anos estar a ser pedida um novo corredor rodoviário de Bragança até à fronteira, mas em Puebla de Sanábria, na província de Castela e Leão.

A ligação à Puebla já esteve prevista no Plano Rodoviário Nacional português e é agora assumida como uma prioridade rodoviária do Nordeste Transmontano em termos de investimentos estruturantes, nomeadamente nas propostas que a Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os-Montes vai fazer ao Governo.

Esta estrada foi pensada como o prolongamento do IP2, o itinerário que liga o interior de Portugal, a partir de Macedo de Macedo de Cavaleiros, interligando à autoestrada A4 até Bragança, e prolongando-se por mais cerca de 30 quilómetros até Espanha.

O projeto foi abandonado há mais de uma década pelo Governo central, devido aos impactos ambientais no Parque Natural de Montesinho, mas a Câmara de Bragança e outras entidades locais não desistiram dele e mantêm a reivindicação.

Em paralelo, surge agora uma nova pretensão de fazer mais um prolongamento do IP2 de Macedo de Cavaleiros até à fronteira, mas por Vinhais, ligando à Gudinã, na Galiza e a autoestrada espanhola A52.

Em ambos os casos, há nas proximidades uma estação do AVE, o comboio de alta velocidade espanhol.

“Entendemos que era uma mais-valia não só para Vinhais”, disse à Lusa o presidente da Câmara deste município, o socialista Luís Fernandes, para quem esta nova ligação “faria todo o sentido”.

Segundo explicou, está em causa um traçado de “entre 50 a 60 quilómetros”, que passa pela Mofreita (Vinhais).

“Não estamos contra qualquer outra ligação, entendemos é que esta também é necessária e é vital para o concelho e para a região”, afirmou o presidente de um dos concelhos do distrito de Bragança que está fora das vias estruturantes e aguarda há anos pela melhoria da ligação à capital de distrito, a cerca de 30 quilómetros.

A Assembleia Municipal aprovou uma moção com esta reivindicação por unanimidade, assim como o mesmo órgão autárquico de Macedo de Cavaleiros, concelho liderado pelo socialista Benjamim Rodrigues.

Macedo de Cavaleiros considera “crucial a progressão do IP2” até Vinhais, na moção que deverá chegar ao conselho de administração da empresa Infraestruturas de Portugal (IP), aos grupos parlamentares e ao Governo, com a pretensão “de vir a ser incluída na discussão” do PNPOT.

Para os eleitos locais, “não faz sentido que a fronteira a Nordeste de Trás-os-Montes fique com quatro acessos a Espanha e Europa e cerca de três quartos do território da fronteira da província fique sem qualquer ligação” àquele país.

Consideram ainda “que a proposta defende a coesão territorial, a descentralização e em muito contribuiria para um abrandar de perda demográfica e para a fixação de população nos municípios do Nordeste Transmontano”.

O assunto irá ser discutido numa próxima reunião da Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os-Montes.