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Como vai o sistema bancário? Mal parado em baixa, rendibilidade em alta, diz o Banco de Portugal

Rafael Marchante

A qualidade dos ativos melhorou no primeiro trimestre, beneficiando da redução do crédito mal parado. A cobertura do crédito em risco por imparidades também registou uma evolução favorável

Como vai o sistema bancário português? Esmiuçando a evolução registada no primeiro trimestre de 2018, o Banco de Portugal (BdP) traça um quadro risonho. Na síntese divulgada esta quinta-feira, o BdP confirma a melhoria da qualidade dos ativos e da rendibilidade do sistema. A solvabilidade é que não melhorou.

No primeiro trimestre do ano, o ativo total do sistema bancário voltou a diminuir. A evolução "reflete um decréscimo de várias rubricas, em especial das disponibilidades em bancos centrais, num contexto de aumento da carteira de títulos de dívida pública".

O ativo reduziu em 1% face ao trimestre anterior. O valor ficou no fim de março em 377 mil milhões de euros.

Liquidez em níveis elevados

O financiamento da banca portuguesa junto de bancos centrais manteve a trajetória de redução, registando o valor mais baixo desde o primeiro trimestre de 2010. Os indicadores de liquidez permaneceram em níveis elevados, tendo, em geral, melhorado, diz o BdP.

Os depósitos de clientes diminuíram 1%, em linha com o ativo. O rácio entre empréstimos e depósitos permaneceu estável, "refletindo uma redução idêntica das duas rubricas".

Por isso, o gap comercial (empréstimos líquidos de depósitos de clientes)não se alterou, permanecendo com um saldo negativo de 19 mil milhões.

Qualidade dos ativos melhora

No primeiro trimestre de 2018, a qualidade dos ativos do sistema bancário continuou a evoluir de forma favorável.

O BdP verifica uma redução do mal parado e do rácio dos empréstimos non-performing (NPL). Esta dinâmica "continuou a refletir a redução do stock de NPL, em especial no segmento das Sociedades Não Financeiras", diz o relatório. Adicionalmente, voltou a observar-se uma subida do rácio de cobertura de NPL por imparidades.

Desde o máximo histórico (junho de 2016), o rácio de NPL diminuiu 5%, por via de uma redução de crédito malparado em cerca de 30% -15 mil milhões de euros.

Rendibilidade em alta

A rendibilidade do sistema "aumentou de forma significativa no primeiro trimestre", traduzindo uma "redução expressiva" do fluxo de imparidades, em especial para crédito, face ao trimestre homólogo.

A rendibilidade dos capitais próprios subiu 7,9% e do ativo 0,8%.

A solvabilidade não melhorou. Os rácios de fundos próprios "diminuíram marginalmente", em resultado de "uma redução ligeiramente superior à observada nos ativos ponderados pelo risco". O BdP nota que o rácio de alavancagem aumentou ligeiramente face ao trimestre anterior (0,1%) passando a situar-se em 7,9%, muito acima do mínimo de referência definido pelo Comité de Supervisão Bancária de Basileia.