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Banqueiros centrais dos EUA estão mesmo preocupados com a guerra comercial

Jerome Powell, presidente da Reserva Federal norte-americana

Mark Wilson/Getty

A maioria dos membros da Fed acha que os riscos ligados à política comercial se intensificaram e que poderão ter efeitos negativos na economia norte-americana, revelam esta quinta-feira as atas da reunião de 12 e 13 de junho. Os banqueiros centrais discutiram, também, se há sinais de uma nova crise no horizonte. Wall Street não reagiu negativamente

Jorge Nascimento Rodrigues

“A maioria [dos decisores do banco central norte-americano] observou que a incerteza e os riscos associados à política comercial se intensificaram e estão preocupados com a possibilidade de essa incerteza e de esses riscos terem efeitos negativos [na economia dos EUA em franca retoma]”, referem as atas da reunião de junho, da Reserva Federal norte-americana (Fed), divulgadas esta quinta-feira.

Apesar deste aviso claro da equipa chefiada por Jerome Powell, divulgado precisamente na véspera do dia D da escalada da guerra comercial entre os EUA e a China, as bolsas de Nova Iorque fecharam em terreno positivo, com o Dow Jones a ganhar 0,75%, o S&P 500 a subir 0,86% e o Nasdaq a avançar 1,1%.

Os investidores preferiram registar a avaliação muito positiva feita pela Fed sobre o andamento da retoma nos EUA, o que se repercutiu esta quinta-feira no mercado de futuros das taxas diretoras, onde subiu para mais de 50% a probabilidade de um quarto aumento dos juros na reunião da Fed de 19 de dezembro. Na sessão anterior, a probabilidade era de 45,9%. O mercado acredita, agora, que a Fed vai concretizar quatro subidas das taxas diretoras este ano e que elas vão terminar o ano no intervalo entre 2,25% e 2,5%.

A preocupação dos membros da Fed com o risco crescente de uma guerra comercial global já tinha sido manifestada pelo presidente Jerome Powell na própria conferência de imprensa a 13 de junho depois da divulgação da decisão de subir as taxas diretoras para o intervalo entre 1,75% e 2%. Posteriormente, foi reafirmada num painel de banqueiros centrais realizado em Sintra no Fórum do Banco Central Europeu no mesmo mês. Powell fez-se eco das preocupações manifestadas “pelos contactos da Fed” por toda a economia norte-americana revelando que o temor ao protecionismo (ainda que esta palavra maldita não tenha sido usada nas atas) está a pesar nas decisões de investimento.

As atas da mais recente reunião da Fed revelam, ainda, que os banqueiros centrais discutiram se uma nova recessão pode estar ao virar da esquina, a partir de sinais como o estreitamento da diferença entre as taxas de curto e de longo prazos dos títulos do Tesouro. “Um número de participantes pensa que seria importante continuar a monitorizar a inclinação da curva de juros”, referem as atas. Os juros da dívida norte-americana entre 6 meses e 30 anos situam-se todos num intervalo entre 2,1% e 2,95%. Os juros a 12 meses estão em 2,32% e a 10 anos em 2,83%.