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Mira Amaral e as rendas da energia: “Era preciso embelezar a noiva para privatizar a EDP”

Antigo ministro afirmou no Parlamento que não teve qualquer responsabilidade nas rendas da EDP

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O antigo ministro da Indústria e Energia, Luís Mira Amaral, assume que foi responsável pela criação de contratos de longo prazo no sector elétrico, mas não os contratos de que a EDP veio a beneficiar.

Mira Amaral notou esta quarta-feira na comissão de inquérito sobre as rendas da energia que criou os contratos de aquisição de energia (CAE) para a Tejo Energia e para a Turbogás no início da década de 1990 para atrair investidores privados que fizessem concorrência à EDP.

"Arranjei a figura dos CAE para captar investimento privado, mas os CAE para centrais da EDP só foram assinados no Governo de Guterres, em 1996, já eu tinha saído do Governo", disse Mira Amaral.

O antigo governante disse ainda assim entender o porquê da criação de contratos de longo prazo para a EDP. "Era preciso embelezar a noiva para privatizar a EDP", comentou.

Embora crítico da substituição, em 2007, dos CAE da EDP por Cmec (custos de manutenção do equilíbrio contratual), por alegadamente terem permitido à EDP uma renda excessiva, Mira Amaral entende que não é aí que está o maior problema dos consumidores portugueses de eletricidade.

O antigo ministro da Indústria e da Energia defende que o maior problema na fatura elétrica paga pelos portugueses é a subsidiação das renováveis, notando que "Portugal tem sido vítima de uma política excessiva e fundamentalista na introdução de energias renováveis".

Mira Amaral notou que as renováveis são responsáveis por mais de metade dos custos de interesse económico geral que o eram o sector elétrico, com um peso superior ao dos Cmec.