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Deputados do PSD acusam Centeno de inexistência e insucesso durante debate no Parlamento Europeu

NUNO VEIGA/ Lusa

Sociais-democratas acusaram o ministro das Finanças de não tomar uma posição clara sobre o orçamento da União Europeia pós-2020 e de ter dito, “de forma propagandística”, que o processo de reforma da zona euro está a ser um sucesso, quando é “dececionante

Os eurodeputados José Manuel Fernandes e Paulo Rangel, do PSD, foram nesta quarta-feira particularmente críticos da atuação de Mário Centeno, durante um debate com o presidente do Eurogrupo no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, acusando-o de inexistência e insucesso.

Num debate centrado na conclusão do terceiro programa de assistência financeira à Grécia, naquela que foi a primeira vez que Centeno discursou no hemiciclo da assembleia europeia desde que tomou posse como presidente do Eurogrupo, em janeiro passado, os dois deputados do PSD que intervieram acusaram-no de não tomar uma posição clara sobre o orçamento da União Europeia pós-2020 e de ter dito, "de forma propagandística", que o processo de reforma da zona euro em curso está a ser um sucesso, quando é "dececionante".

Na sua intervenção, José Manuel Fernandes começou por salientar que "o próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) de 2021 a 2027, os próximos fundos são cruciais, são fundamentais", para uma Europa coesa, competitiva, segura, mas também para "uma zona euro forte e estável".

"E o senhor presidente do Eurogrupo nesta matéria não tem dito nada, tem sido inexistente", lamentou, acrescentando que era também "essencial" conhecer a posição do presidente do Eurogrupo sobre uma capacidade orçamental própria da zona euro.Segundo o deputado, era importante saber, por exemplo, se Centeno "concorda com a proposta do Parlamento Europeu ou com a proposta da Comissão para o próximo QFP", se "concorda com cortes na política de coesão e seu desvirtuamento" e que "Estados-membros mais ricos até tenham aumentos e Estados-membros mais pobres, como Portugal, tenham cortes". "Precisávamos de um presidente forte e liderante, e esperamos que tal venha a acontecer", concluiu.

Intervindo minutos depois, também Paulo Rangel foi muito crítico, afirmando que a conclusão do resgate à Grécia "sem dúvida que é marco importante", mas acrescentando que, até para reforçar esse êxito, "era preciso reformar zona euro", e o que aconteceu na última "Cimeira do Euro", na sexta-feira passada, "foi uma grande deceção", apesar de Centeno ter dito "de forma propagandística" que era "um grande sucesso".

Lembrando que estava anunciado um plano para concluir a União Bancária, o líder da delegação do PSD ao PE reforçou que o resultado da cimeira foi "dececionante", também em relação à capacidade orçamental, num momento crucial em que era possível avançar efetivamente na reforma na zona euro, mas chega-se a julho "sem um roteiro" sequer.

Por fim, questionou Centeno sobre a sua posição, enquanto presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças português, relativamente à criação de impostos europeus, "defendida pelo PS português".

Na sua intervenção final, que concluiu o debate de duas horas no hemiciclo, Mário Centeno voltou a falar apenas do que classificou como o sucesso da conclusão do programa de assistência à Grécia, sem responder às intervenções de José Manuel Fernandes e Paulo Rangel.

Reformas do euro “são longas”

Mário Centeno escusou-se, posteriormente, a comentar as críticas à sua prestação como presidente do Eurogrupo, feitas pelos eurodeputados do PSD. Em declarações aos jornalistas, após a sua estreia em debates no hemiciclo de Estrasburgo na qualidade de presidente do Eurogrupo, o ministro das Finanças português foi convidado a comentar as declarações de Paulo Rangel", que descreveu o que aconteceu na última "Cimeira do Euro", na sexta-feira passada, como "uma grande deceção", apesar de Centeno ter dito "de forma propagandística" que era "um grande sucesso".

"Essa frase não comento. Não me compete a mim comentar resultados de cimeiras. O Eurogrupo está focado, sabíamos e sabemos que estas reformas são longas, ainda bem que assim é, porque as fazemos com mais cuidado", argumentou. O ministro português escusou-se ainda a responder ao eurodeputado social-democrata José Manuel Fernandes, que afirmou que o fórum dos ministros das Finanças da zona euro precisava de "um presidente forte e liderante".

"Nós quando estamos a discutir o programa grego, devemos centrar-nos no programa grego. E a realidade é que houve um conjunto de resultados apresentados que permitiram uma reação positiva dos mercados. É isso que mais me interessa", contestou. "Nós hoje viemos aqui falar, felizmente, sobre o fim do terceiro programa grego e aquilo que é o pós-programa para a Grécia. Este é um momento muito importante para a sociedade, a economia, as finanças gregas. A Grécia começa uma fase diferente na sua relação com a Europa. É muito importante frisar a importância deste momento" reiterou.

Centeno preferiu ainda não responder às críticas dos dois eurodeputados do PSD, que o acusaram de não tomar uma posição clara sobre o orçamento da União Europeia pós-2020, lembrando que apenas "coordena, modera, e tem uma intervenção construtiva sobre os processos que passam pelas reuniões do Eurogrupo".

"Essa tem sido a minha atitude. Ninguém tem dúvidas sobre as minhas opiniões sobre estas matérias, porque nunca as escondi, sempre tive a oportunidade de as exprimir. Entendamos que, neste momento, o trabalho que temos pela frente nesta dimensão é o de conseguir encontrar soluções para os compromissos que é preciso assumir em cada momento", destacou.

Mário Centeno assumiu que hoje, no debate centrado na conclusão do terceiro programa de assistência financeira à Grécia, encontrou "uma enorme diversidade de opiniões". "Num contexto de uma diversidade tão grande de opiniões, aquilo que vai determinar o sucesso do pós-programa para a Grécia é a capacidade do programa de reformas ser resiliente aos ciclos políticos", afirmou.