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BCE aumentou compra de dívida portuguesa em junho

Kai Pfaffenbach

O Banco Central Europeu adquiriu €620 milhões em Obrigações do Tesouro português ao abrigo do programa de compra de dívida pública. Foram mais €52 milhões do que em maio. É o segundo volume mensal mais elevado em 2018. No conjunto da zona euro, as compras de junho foram as mais elevadas do ano

O Banco Central Europeu (BCE) adquiriu em junho o segundo montante mensal mais elevado do ano em Obrigações do Tesouro português (OT) no âmbito do programa de compra de dívida pública no mercado secundário, segundo o balanço publicado pelo banco central esta semana. Comprou €620 milhões em OT, mais €52 milhões do que em maio. Desde janeiro, o nível mensal mais elevado de aquisição de OT registou-se em abril, com um volume de €623 milhões.

Esta aceleração no volume de aquisições de dívida foi generalizada à zona euro e, segundo a agência Reuters, parece configurar a determinação da equipa de Mario Draghi em manter a política de estímulos num nível elevado, agora que foi antecipada a intenção de descontinuar o programa no final do ano.

O volume total de ativos comprados pelo BCE em junho em toda a zona euro, incluindo dívida pública e outros títulos no âmbito dos outros três programas que mantém ativos, foi de €31,2 mil milhões, acima do teto médio mensal de €30 mil milhões que está em vigor desde janeiro.

O BCE comprou em junho mais €740 mil milhões de títulos soberanos da zona euro do que no mês anterior, subindo o montante mensal para quase €25 mil milhões, o volume mensal mais elevado desde início do ano.

BCE reinvestiu mais de €11 mil milhões em junho

Àquele volume de aquisições por via do programa há que acrescentar os reinvestimentos das amortizações dos títulos que o BCE tem em carteira. Em junho, os reinvestimentos somaram €11,55 mil milhões, o que eleva o volume mensal de dívida comprada ou reinvestida para €36,5 mil milhões. No mês passado, venceu uma linha de obrigações portuguesas num montante de €6,6 mil milhões, de que uma parte poderia ser detida pelo BCE e pelo Banco de Portugal (BdP).

Como Mario Draghi, o presidente do BCE, tem sublinhado, e ainda recentemente o economista-chefe Peter Praet em entrevista ao Expresso, os reinvestimentos são outra ferramenta fundamental da política atual de estímulos do banco. Até final do ano, o BCE vai reinvestir mais €61,2 mil milhões, una média mensal um pouco acima de €10 mil milhões.

No primeiro semestre de 2019, os reinvestimentos vão somar €84,41 mil milhões, uma média mensal de €14 mil milhões, numa altura em que o BCE já terá descontinuado o programa de compras lançado em 2015. O volume de reinvestimentos nos primeiros seis meses do próximo ano será 52% superior ao registado no primeiro semestre de 2018. No próximo ano, Portugal amortiza em junho uma OT de €8,8 mil milhões, de que uma parte poderá ser detida pelo BCE e pelo BdP.

O ‘resgate’ realizado pelo BCE à dívida portuguesa já soma mais de €34 mil milhões

Desde o início do programa em março de 2015, o BCE já comprou €34,29 mil milhões em OT, o equivalente a um ‘resgate’ adicional do país que soma aos €76,5 mil milhões desembolsados pelos dois fundos de resgate europeus e pelo Fundo Monetário Internacional.

O BCE está desde janeiro a adquirir mais dívida pública portuguesa do que aquela que resultaria da aplicação do critério designado por chave de capital (ou seja, a percentagem de participação do Banco de Portugal no capital do BCE).

A média para Portugal neste primeiro semestre está acima de 2% do total de dívida comprada mensalmente pelo BCE na zona euro, quando a chave de capital é de 1,7434%. Em junho, o BCE adquiriu mais €185 milhões em OT do que deveria comprar se aquele critério fosse aplicado à letra. O BCE adquiriu também dívida finlandesa e irlandesa acima das chaves de capital dos dois países.

No entanto, em termos do volume global adquirido desde março de 2015, o peso de compras de dívida portuguesa é de 1,67%, abaixo da chave de capital.