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Pedro Marques: “Ninguém chamará megalómano nem faraónico ao investimento na ferrovia”

M\303\201RIO CRUZ

Ministro do Planeamento e das Infraestruturas fez balanço dos projetos ferroviários em curso ou que estão para avançar em Portugal, nomeadamente na ligação a Espanha. Para a semana vai lançar “o primeiro grande concurso para o investimento na linha da Beira Alta, no troço mais próximo de Espanha”

Pedro Lima

Pedro Lima

Editor-adjunto

“Estou absolutamente convencido de que ninguém chamará megalómano nem faraónico ao investimento que Portugal está a fazer na ferrovia”, disse esta terça-feira o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques.

“Estamos a falar de uma linha de velocidade elevada de bom desempenho para a ligação das nossas mercadorias e pessoas entre Portugal e Espanha”, concretizou o governante referindo-se à ligação Sines-Lisboa-Madrid. “Espanha está a fazer os seus investimentos a partir de Badajoz na ligação a Madrid”, acrescentou durante um almoço com empresários portugueses promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-espanhola.

O ministro lembrou que foi assinado há cerca de dois meses um acordo conjunto entre Portugal e Espanha com a Comissão Europeia “que foi o primeiro acordo de implementação do atual ciclo de programação comunitária para os corredores internacionais prioritários”. Referia-se ao corredor internacional sul e à “há muito tempo ambicionada ligação ferroviária entre os portos de Sines, Lisboa e Madrid. Uma ligação que está por fazer porque não temos ferrovia entre Elvas e Évora”, explicou.

“Finalmente a obra está lançada, temos mais de 400 milhões de euros de concursos públicos lançados nestes últimos dois a três meses para a realização daquele que vai ser o maior investimento ferroviário dos últimos 100 anos. Este é o tal momento em que vale a pena por o capacete de ministro das Infraestruturas para dizer que este sim é um grande investimento, não temos muitos a realizar em Portugal, ainda ontem felizmente pudemos lançar o investimento de reabilitação do IP3”, acrescentou Pedro Marques.

Aproveitando para fazer um balanço das grandes ligações ferroviárias entre Portugal e Espanha, Pedro Marques congratulou-se “com o facto de na última cimeira ibérica termos consolidado intenções de ligações entre os dois territórios que estão agora em concretização no terreno. No noroeste peninsular estamos finalmente a eletrificar a linha do Minho, que era uma ambição de décadas, que corresponde à ligação entre o Porto e Vigo e depois à Corunha. Em vez da perspetiva de abandono que ocorreu recentemente estamos a falar de qualificar e potenciar a ligação do noroeste peninsular em ferrovia. Os Investimentos do lado de Espanha serão muito curtos e estarão prontos ao mesmo tempo que os nossos”, esclareceu.

Quanto ao corredor internacional norte - a ligação dos nossos portos do norte e centro a Espanha – Pedro Marques referiu que “Espanha comprometeu-se a eletrificar a ligação entre Salamanca e Fuentes de Oñoro ao mesmo tempo que Portugal está a desenvolver um investimento de renovação integral da linha da Beira Alta e a repor o funcionamento de uma linha fechada há uma década, que é a ligação entre a Covilhã e a Guarda. Esta ligação do corredor internacional norte está em desenvolvimento. Na próxima semana lançarei o primeiro grande concurso de outros mais pequenos de investimento na linha da Beira Alta, no troço mais próximo de Espanha”.

A busca de consensos

“Estamos num tempo de desafiar o país para estabilizar os próximos grandes objetivos de desenvolvimento para aquilo a que chamamos o Portugal 2030. Foi possível alcançar um acordo económico, social e político importante entre o governo e o maior partido da oposição”, disse também o ministro referindo que neste momento há uma "busca de consensos sobre o país que queremos ser na próxima década".

“O desafio que colocámos quando chegámos ao governo foi não rasgar o que eram as opções de investimento em infraestruturas que vinham do governo anterior mas antes executá-las”, disse o ministro. “Até porque sucessivamente os governos passavam muito tempo a rasgar os planos de investimento do governo anterior e a fazer outros muito parecidos”, acrescentou Pedro Marques.

O ministro disse também que “para os empresários que investem no país é bom saber que Portugal tem perspetivas estáveis para o seu processo de desenvolvimento”. Isto porque “o país político soube pôr-se de acordo relativamente aos objetivos estratégicos para a próxima década. Entre esses objetivos está a conectividade e competitividade externa da economia portuguesa”.

Infraestruturas são prioritárias

Também presente no almoço, o presidente da Xunta de Galicia, Alberto Núñez Feijóo, defendeu também a necessidade de melhorar as infraestruturas entre os dois países.Portugal e a Galiza são sócios estratégicos”, disse, destacando o facto de Portugal ser o segundo país do mundo que mais exporta para a Galiza – o primeiro é França – e de Portugal ser também o segundo mercado que mais importa da Galiza - 1.263 empresas galegas exportam para Portugal, sendo que quase 800 exportam de forma regular, especificou.

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-espanhola, Enrique Santos, destacou por seu lado o facto de as relações entre os dois países estarem num momento muito bom. E colocou também a tónica na necessidade de desenvolver as ligações ferroviárias. “Não funcionam bem, é preciso melhorar essa situação”, afirmou ao Expresso.

“A Galiza é muito importante para Portugal. A autonomia que mais compra a Portugal é a Galiza, em segundo lugar costuma estar Madrid ou Barcelona. O intercâmbio comercial entre os dois países anualmente é à volta de 30 mil milhões de euros, 15% é da Galiza, é uma zona muito importante para as relações económicas de Portugal”.