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Facebook deu a dezenas de empresas acesso especial aos dados de utilizadores

LIONEL BONAVENTURE/ Getty Images

Spotify, Salesforce, Nike e Audi foram algumas das 61 empresas que receberam tratamento especial por parte da tecnológica de Silicon Valley e tiveram mais tempo para cumprir as restrições de acesso aos dados introduzidas em 2014. Mais de 50 outras empresas, entre as quais a Amazon e a Apple, receberam dados dos utilizadores para uma melhor integração com a rede social

O acesso de empresas à informação pessoal sobre os utilizadores do Facebook afinal não foi totalmente bloqueado em 2014.

Segundo as políticas atualizadas da multinacional, os programadores passaram a ter de justificar ao Facebook a finalidade da recolha e utilização dos dados dos utilizadores, quando estes iam além das informações básicas - e, entre abril de 2014 e abril de 2018, terão sido rejeitadas mais de metade das aplicações enviadas para revisão.

Embora a rede social tenha introduzido essas regras mais rigorosas para as aplicações e programadores que usam os dados dos utilizadores (dando-lhes uma tolerância de um ano para se adaptarem às restrições), 61 empresas beneficiaram de tratamento especial, avança o jornal "The Guardian".

O Spotify, a Salesforce, a Nike e a Audi são algumas das empresas que tiveram um alargamento deste período de transição em mais seis meses - ou oito meses, no caso particular da empresa de software Serotek.

A revelação está contida num documento de 747 páginas enviado na passada sexta-feira pelo Facebook ao Congresso norte-americano, e divulgado esta segunda-feira. Este é uma resposta às 120 questões colocadas pelos deputados durante a audiência de Mark Zuckerberg na comissão de Energia e Comércio em abril.

Dados partilhados com 52 "fornecedores", não "parceiros"

Paralelamente, a tecnológica de Silicon Valley partilhou também informação dos utilizadores com 52 outras empresas de hardware e de software, no âmbito de parcerias para que a rede social funcionasse de forma mais eficaz nos smartphones e outros dispositivos.

A Apple, a Amazon, a Microsoft, a Samsung e a Huawei são algumas destas empresas, nas quais se incluem não só fabricantes de dispositivos eletrónicos, mas também empresas que desenvolvem sistemas operativos e outros softwares.

Embora já tenha terminado os acordos com 38 destas empresas (e planeie terminar mais sete em breve), outras como a Alibaba, a Mozilla e a Opera vão a continuar a receber dados para manter as notificações nos browsers.

"Envolvemos empresas para que criem integrações com vários dispositivos, sistemas operativos e outros produtos nos quais queremos disponibilizar o acesso ao Facebook e às suas experiências", explica a multinacional no documento enviado ao Congresso. "Estas integrações são construídas pelos nossos parceiros para os nossos utilizadores, mas aprovadas pelo Facebook."

A revelação comprova as alegações que acusavam a rede social de partilhar, durante vários anos, dados dos utilizadores com várias empresas - embora tivesse deixado de o fazer com os programadores. O Facebook justifica esta partilha com o facto de estas empresas serem 'fornecedores' e não 'parceiros' - e a escolha das palavras não é casual, uma vez que que, de acordo com um decreto de 2011 da Comissão Federal de Comércio (FTC) norte-americana, a tecnológica tem de obter autorização antes de partilhar informações privadas com 'parceiros'.

A partilha de dados dos utilizadores com estas empresas continuou até abril, altura em que a tecnológica a restringiu, na sequência do escândalo relacionado com a consultora política Cambridge Analytica - que usou indevidamente os dados de 87 milhões de utilizadores (incluindo cerca de 63 mil em Portugal, no máximo) ao serviço da campanha presidencial de Donald Trump.

Desde essa altura, o Facebook tem estado sob um maior escrutínio. Além de ficar sob a alçada da FTC, a multinacional será também investigada pelo Federal Bureau of Investigation (FBI), o Departamento de Justiça norte-americano e a Securities Exchange Commission (SEC), o regulador dos mercados equivalente à CMVM portuguesa (Comissão de Mercado de Valores Mobiliário).