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Receitas por quarto na região de Lisboa atingem valor mais alto dos últimos 10 anos

O hotel de cinco estrelas na Rua do Arsenal tem 79 quartos e são todos diferentes, dadas as características do edifício

A Área Metropolitana de Lisboa foi ainda a que mais contribuiu para o total de hóspedes em Portugal, representando 30%, e bateu o recorde dos seis milhões de hóspedes e 14 milhões de dormidas em 2017, revelam dados da consultora Deloitte.

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

A Área Metropolitana de Lisboa (AML) fechou 2017 com um valor de receitas por quarto disponível (a métrica a que o setor chama de revpar) de 72,6 euros, o valor mais alto dos últimos 10 anos segundo uma análise da consultora Deloitte, a que o Expresso teve acesso.

De acordo com estes dados, que analisam a evolução do sector neste período e surgem no seguimento da apresentação da edição mais recente do Atlas da Hotelaria, o revpar da AML deu um salto de 52% e registou uma taxa de crescimento anual de 4,3% e superou a média nacional em cerca de 18 euros.

Além disso, olhando apenas para a variação anual, o revpar de 72,6 euros representa uma subida de 21% - ou mais 13,41 euros - face a 2016, o que faz dela é a maior subida do ano passado entre todas as regiões do país.

No Centro, Alentejo e Açores, o revpar aumentou pouco mais de 5 euros, para cerca de 26, 31 e 37 euros respectivamente; no Norte e no Algarve subiu pouco mais de 7 euros para 42 e 53 euros, também respectivamente em cada uma das regiões mencionadas. O crescimento mais baixo foi mesmo na Madeira: mais 4 euros para quase 52 euros.

Aliás, segundo dados da Deloitte, com um revpar de 53 euros, o Algarve superou, pela primeira vez em 10 anos, a região da Madeira. Além disso, foi a segunda região do país a registar a maior taxa de variação dos últimos 10 anos, mais precisamente 63%, o que representa uma taxa de crescimento anual de 5%.

A região de Portugal onde as receitas por quarto disponível mais cresceram nos últimos dez anos foi mesmo o Norte. Aqui o revpar passou de 22 em 2007 para 42 euros em 2017, ou seja, mais 92%. Isto representa ainda uma taxa de variação anual de 6,7%.

O aumento do turismo na Área Metropolitana do Porto, e acima de tudo no Porto, terá contribuído de forma significativa para este aumento. Só num ano, entre 2016 e 2017, o revpar dos estabelecimentos hoteleiros só da cidade cresceu 14 euros, para 66,6 euros.

“O revpar é uma métrica hotelaria que ajuda a perceber a performance de um empreendimento turístico e de uma região e está dependente de duas variáveis: receita gerada com a venda das unidades de alojamento e taxa de de ocupação. Face ao crescimento que vivemos no setor em Portugal e tendo em consideração a nossa percepção do mercado, podemos dizer que se assistiu a um aumento dos preços em resultado da lei da oferta e da procura. Isto significa que, se a procura é excessiva face à oferta, os hoteleiros vêem-se obrigados a aumentar os preços para ajustar esta situação e retirar mais proveitos”, diz o sócio da Deloitte, Jorge Marrão, em declarações ao Expresso.

Mas de acordo com este responsável, este aumento das receitas por quarto disponível em todo o país, não só em 2017, mas ao longo dos últimos anos, depois da crise, explica-se também com o aumento das taxas de ocupação.

“Após um período de decréscimo da taxa de ocupação, entre 2008 e 2012, em grande parte devido à crise económica que se fez sentir na Europa e em particular em Portugal, a recuperação começou no ano seguinte, em 2013, tendo em 2017 atingido uma média de 63,9% em Portugal”, diz a Deloitte.

Olhando para os dados a 10 anos, o Norte, a Madeira e os Açores foram as regiões cuja taxa de ocupação mais cresceu, respectivamente, 14,2; 14 e 13,7 pontos percentuais. Já o Algarve foi o que menos cresceu entre 2007 e 2017, já que nesse período a taxa de ocupação passou de 63% para perto de 66%. Segundo a Deloitte, isto explica-se “pela extrema sazonalidade que se faz sentir na região”.

Já numa perspectiva anual, a região que mais cresceu entre 2016 e 2017 foi mesmo o Alentejo, passando de uma taxa de ocupação de 47,1% para 52,2%. No Centro também houve um aumento significativo de 43,5% para 47,9% e o mesmo se passou em Lisboa, crescendo de 72,5% para 76,4%.

Ainda assim, a região da Madeira e de Lisboa continuam a ser as que apresentam a maior ocupação dos estabelecimentos hoteleiros ao fechar o ano com taxas de 78,3% e 76,4% respectivamente.

Este aumento explica-se com o aumento do número de hóspedes e de dormidas que também começou a recuperar em 2013 depois da um decréscimo devido à crise.

Mais uma vez o Norte volta a destacar-se, com um crescimento de 73% nos hóspedes e de 76% nas dormidas entre 2007 e 2017. Mas numa análise anual, os maiores aumentos foram registados nos Açores (mais 17% nos hospedes e 16% nas dormidas) e no Alentejo (mais 13% e mais 12%).

Também o Algarve esteve bem, a bater os 19 milhões de dormidas (mais 1,3 vezes que em 2007)

Mas mais uma vez, em 2017, o destaque vai mesmo para Lisboa. “Foi a região que mais contribuiu para o total de hóspedes em Portugal, representando 30%”, escreve ainda a Deloitte. E “bateu o recorde dos seis milhões de hóspedes e 14 milhões de dormidas (1,7 vezes mais do que em 2007)”, mostra ainda o documento.