Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bolsas. Julho começa no vermelho na Ásia, América Latina e Europa

Quedas superiores a 2% esta segunda-feira em Xangai, Shenzhen, Seul e Tóquio. Atenas e Londres lideram descidas na Europa. PSI 20 em Lisboa cai 0,7%. Nova Iorque fecha primeira sessão do mês com ganhos. Bolsa da Cidade de México perde 2,1% no rescaldo da vitória de López Obrador nas eleições presidenciais

Jorge Nascimento Rodrigues

A maré vermelha de junho continua. A maioria das bolsas da Ásia, América Latina e Europa encerraram a primeira sessão de julho com perdas. Em Lisboa, o PSI 20 seguiu essa tendência negativa, fechando esta segunda-feira com um recuo de 0,73%. Escaparam Hong Kong, Moscovo, Toronto, Nova Iorque (as duas bolsas, NYSE e Nasdaq), Istambul e São Paulo.

Na Ásia Pacífico, as perdas esta segunda-feira foram lideradas por Xangai, Seul, Tóquio e Shenzhen, com os índices principais a caírem mais de 2%. Na Europa, os índices principais de Atenas, Londres, Helsínquia e Estocolmo recuaram 1,2% e lideraram as descidas. O índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) perdeu 0,7% e o Eurostoxx 600 (das seiscentas principais cotadas europeias) recuou 0,8%. Quebras próximas de 1% registaram-se em Amesterdão, Zurique e Milão. Em Lisboa, o PSI 20 caiu 0,73%, com 13 cotadas a registarem perdas, lideradas pelos CTT cujo valor recuou esta segunda-feira 3,9%.

A praça de Nova Iorque fechou na primeira sessão de julho em terreno positivo, com o Dow Jones 30 a ganhar 0,15%, o S&P 500 a subir 0,31% e o Nasdaq (da bolsa das tecnológicas) a avançar 0,76%. Toronto encerrou com ganhos de 0,6% e o índice iBovespa em São Paulo ficou acima da linha de água com um avanço de 0,11%. Mas o índice Merval em Buenos Aires caiu 2,4% e na cidade do México o índice S&P/BMV perdeu 2,1%.

O início do mês de julho vai ficar marcado pela evolução da crise política na Alemanha e pela escalada das guerras comerciais entre EUA, China e União Europeia. A 16 de julho, o Fundo Monetário Internacional divulgará a atualização das previsões do World Economic Outlook, onde se saberá se o protecionismo crescente, a incerteza política em economias importantes e os riscos nas economias emergentes irão provocar uma revisão em baixa do crescimento mundial e em algumas regiões.

Equipa do presidente mexicano eleito tranquiliza mercados

Na América Latina, a sessão desta segunda-feira ficou marcada pela queda da bolsa mexicana no rescaldo da vitória nas presidenciais de López Obrador, o candidato de esquerda, com uma votação acima de 53% no domingo, de acordo com os resultados preliminares. O peso mexicano fechou esta segunda-feira com uma valorização ligeira de 0,2% face ao euro, que valia 23,29 pesos no final da semana passada e caiu para 23,24 agora.

Um mês antes das eleições deste domingo, os dirigentes de grandes cotadas na bolsa mexicana, como Grupo Mexico, Grupo Bal (Peñoles e Palacio de Hierro), FEMSA, Grupo Vasconia, Aeroméxico e Grupo Herdez avisaram os seus trabalhadores, através de cartas e vídeos, para o risco de votarem “num governo populista”. As ações destes grupos na praça mexicana caíram esta segunda-feira com destaque para Peñoles que se afundou 7%.

Os juros da dívida mexicana a 10 anos subiram esta segunda-feira apenas dois pontos-base para 7,6%. O governo do novo presidente só entra em dezembro.

A equipa de Obrador procurou, de imediato, tranquilizar os mercados financeiros. Segundo o site mexicano "El Economista", três representantes de Obrador, nomeadamente o provável futuro secretário do Tesouro, Carlos Urzúa, transmitiram esta segunda-feira a investidores a estratégia 'pragmática' da nova presidência de esquerda. O futuro governo pretende manter uma política orçamental “responsável” e o sistema de câmbios flexíveis do peso, respeitará a autonomia do Banco de México, o banco central, e não realizará expropriações. Também não tem intenção de sair unilateralmente do Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA, na sigla em inglês).