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Lojas inauguradas no Porto mais do que duplicam em 2017

Em 2017, no Porto, abriram mais 94 lojas do que no ano anterior

FOTO RUI DUARTE SILVA

Primeiro estudo da Cushman & Wakefield sobre o Porto revela ainda uma subida das rendas, principalmente na baixa da cidade

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

No imobiliário nacional não é só Lisboa que está a receber a atenção dos investidores, sejam eles estrangeiros ou portugueses. O Porto está a atrair cada vez mais interessados e o segmento do retalho é um dos que mais se têm destacado.

De acordo com um estudo da Cushman & Wakefield sobre o mercado do Porto, em 2017 abriram 172 lojas, entre substituições de marcas e novas unidades. Foram mais 94 do que as que abriram em 2016 e, por isso, um crescimento de mais do dobro (121%) em apenas um ano. Uma situação que surge depois de em 2016 terem aberto menos 11 lojas do que em 2015.

“Este crescimento explica-se pelo aumento do turismo, que teve um papel muito importante, mas também se deve à reabilitação urbana que se tem desenvolvido na cidade do Porto, e ainda à chegada de novas empresas e à consequente procura de escritórios”, diz ao Expresso a responsável pela área de estudos de mercado da Cushman, Marta Esteves Costa.

No total, entre 2015 e o primeiro trimestre de 2018 abriram 376 novas lojas no Porto, tanto em centros comerciais como na rua, apesar do grande interesse que o comércio de rua tem despertado nos últimos anos. E destas 376 aberturas, 45% foram restaurantes, bares ou cafés, adianta ainda o estudo, uma clara consequência do aumento do turismo.

Com este crescimento é natural que haja um aumento dos preços. “O dinamismo do mercado teve um impacto nas rendas, particularmente no comércio de rua onde a atividade era praticamente inexistente antes de 2014. As rendas prime na Rua de Santa Catarina evoluíram, desde esse ano, mais de 80%, situando-se hoje nos €72,5 por metro quadrado por mês”, pode ler-se no estudo, que foi apresentado na quarta-feira à tarde.

De acordo com o documento, em 2014 as rendas mensais na Rua de Santa Catarina eram de €40/m2, no ano seguinte subiram para €45, em 2016 aumentaram para os €55/m2, e atingiram os €65/m2 o ano passado. Estão agora nos já referidos €72,5, ou seja, mais €7,5 do que no ano anterior e muito próximo dos €75 praticados nos centros comerciais.

Além da Rua de Santa Catarina, também a zona dos Clérigos se afirmou como “o segundo destino de rua mais valorizado do Porto, com rendas prime na ordem dos €50/m2/mês”. Segue-se a zona da Rua das Flores e da Rua Mouzinho da Silveira, com rendas de €40/m2/mês.

Nos próximos anos o destaque irá para a Avenida dos Aliados. “Vai ser a zona de luxo do Porto, com lojas de marca de topo. Está a ser feita ali muita reabilitação, tanto hotéis como habitação, e isso vai de certeza valorizar a zona”, diz Marta Esteves Costa.

Escritórios a crescer

Nos anos em análise no estudo, entre 2015 e o primeiro trimestre de 2018, não foi apenas o sector do retalho a crescer. “O mercado de escritórios regista uma procura mais dinâmica, liderada por empresas multinacionais que escolhem a região para instalar centros de serviços partilhados. Para este ano espera-se um aumento muito considerável, estando já contabilizados no primeiro trimestre 30 mil m2 de ocupação”, pode ler-se no documento da Cushman.

Contudo, tal como em Lisboa, há uma falta de oferta de espaços de qualidade e foi, por isso, que ao longo destes 24 meses surgiram vários novos projetos. É o caso do Urbo Business Center e o Boavista Office Center, que abrem ainda este ano, do Porto Office Park e do Porto Business Plaza, que ficam prontos em 2019. “No total, a oferta futura de escritórios conhecida hoje para o Grande Porto aproxima-se dos 150 mil m2 distribuídos por 10 projetos”, conclui o estudo.

O aparecimento destes projetos vai fazer com que, a partir de 2019, o Porto comece finalmente a receber mais investimento institucional, repara Marta Esteves Costa. Até agora, este segmento do imobiliário no Porto tem estado muito pouco dinâmico. De acordo com o estudo, “o investimento em produto acabado no distrito do Porto em 2017 totalizou cerca de €250 milhões”. Uma pequena fatia num total de mais de €2 mil milhões aplicados em todo o país.