Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Portugal teve 4.º pior crescimento do PIB por habitante da UE desde 1998

A economia portuguesa teve um dos mais baixos crescimentos da zona euro desde o arranque a moeda única

Rui Duarte Silva

Crescimento do rendimento médio por cada elemento da população em idade de trabalhar nas últimas duas décadas só ultrapassa os de Itália, Chipre e Grécia

João Silvestre

João Silvestre

Editor de Economia

A economia portuguesa teve o quarto pior crescimento por habitante em idade de trabalhar entre 1998 e 2017. Pior só Itália, Chipre e Grécia. E este indicador até já corrige as diferenças de nível de preços entre países com base na chamada paridade dos poderes de compra.

Os números são do Banco Central Europeu (BCE) e vêm confirmar a ideia de quase estagnação da economia portuguesa desde a entrada na moeda única, em 1999. E não é de estranhar. Basta olhar para andamento do PIB nestes anos. Foram, primeiro, dez anos de crescimento lento, em que a economia portuguesa andou a um ritmo médio anual a rondar 1%. Foi a parte ‘boa’ da história.

Depois, chegou a crise financeira, e a situação complicou-se consideravelmente. Portugal teve uma recessão em 2009, o ano da Grande Recessão a nível global, voltou a crescer em 2010 mas, com crise da dívida na zona euro, viveu no vermelho mais três anos, entre 2011 e 2013. Desde então voltou a crescer, mas só este ano irá ‘regressar’ ao PIB de 2008 e recuperar tudo o que foi perdido desde a crise financeira internacional

Os dados do BCE são retirados do documento ocasional “Structural policies in the euro area”, publicado no final da semana passada com uma análise a várias políticas estruturais nos países da zona euro, e comparam o PIB médio por cada habitante em idade de trabalhar e a sua evolução desde 1998 (ver gráfico). Este indicador permite avaliar o potencial de crescimento de cada economia face à sua dotação de mão de obra.

Como explica o documento do BCE, coordenado pelos economistas Klaus Masuch, Robert Anderton, Ralph Setzer, Nicholai Benalal, o PIB por habitante em idade ativa permite “uma melhor comparação internacional do potencial de crescimento de um país do que o PIB per capita, já que é menos dependente de desenvolvimentos demográficos (como decisões de fertilidade e migrações), que estão fora do alcance dos decisores políticos”.

O documento sublinha, neste indicador, que a zona euro está abaixo dos EUA e Japão: “O PIB por habitante em idade de trabalhar real cresceu substancialmente entre 1996 e 2016 na maior parte dos países europeus. Em particular, nos países do centro e leste da Europa que delinearam um notável processo de convergência do rendimento com o resto da Europa.

gety

Ainda assim, o rendimento por habitante em idade de trabalhar na zona euro é bastante inferior ao dos EUA e Japão, e vários países europeus tiveram uma reversão do processo de convergência, em parte como resultado da crise e de políticas inadequadas no período anterior à crise”.

Esta diferença acontece também na produtividade, que, embora seja uma preocupação generalizada nas principais economias, tem tido um abrandamento mais acentuado nos países da moeda única. “O crescimento da produtividade na zona euro tem estado em declínio durante várias décadas. Enquanto o abrandamento de longo prazo no ritmo de crescimento da produtividade da zona euro reflete, em larga medida, uma tendência generalizada entre economias avançadas, em 17 dos últimos vinte anos a taxa de crescimento da produtividade do trabalho na zona euro tem sido inferior à dos EUA e do Japão”.

Explica o BCE que esta diferença entre EUA e zona euro se pode dever a diversos fatores, onde se incluem “mercados de produto, trabalho e financeiros altamente regulados, obstáculos legais e regulatórios à realocação setorial, regulação restritiva que impede a inovação e o investimento em certas áreas e impedimentos mais gerais, como uma baixa prevalência de competências relevantes em tecnologias de informação e comunicação”.