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A partir de setembro todos os caminhos marítimos vêm dar a Portugal

Lisboa. Menina de Maputo, veio com doze anos para a capital. Os pais, alentejanos, queriam os filhos na Universidade e Portugal ainda era um país centralista — era ali ou Coimbra. Os dois mais velhos foram para Medicina, Ana Paula, do contra, foi para Engenharia. Como secretária de Estado dos Transportes mandou repor o Cais das Colunas

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Lisboa vai receber quatro eventos internacionais ligados à economia azul, incluindo uma das maiores conferências mundiais do sector dos cruzeiros e a já tradicional reunião anual que junta ministros do Mar de dezenas de países

Nem todos os caminhos vão dar a Roma. No que diz respeito às rotas da Economia Azul, estas virão desaguar a Portugal nos próximos meses de setembro e outubro. O Ministério do Mar, liderado por Ana Paula Vitorino, anunciou esta quarta-feira que a região de Lisboa se está a preparar para acolher quatros grandes eventos internacionais, por essa altura. Um dedicado ao transporte marítimo, a Portugal Shipping Week; outro dedicado aos cruzeiros, o Seatrade Cruise Med; outra conferência da responsabilidade da organização internacional BioMarine; e a já tradicional reunião ministerial, que junta ministros do Mar de todo o mundo, a Oceans Meeting.

À capital, chegarão dezenas de decisores políticos, mas também muitas empresas, para discutir o futuro da economia azul (ligada a actividades marítimas, desde a pesca à biotecnologia). “Portugal já está a assumir a liderança política [nestas matérias], esperemos que se torne uma liderança financeira”, referiu a ministra, numa apresentação na Administração do Porto de Lisboa, que juntou várias embaixadores estrangeiros em Portugal.

A Portugal Shipping Week 2018 arranca a 17 de setembro e decorrerá até ao dia 21, em vários pontos da cidade, incluindo a gare de Alcântara e o Parque das Nações. Este evento internacional sobre transporte marítimo tem decorrido, até agora, em Londres. Mas, a partir deste ano, desembarcará também em Lisboa. O objetivo é que aconteça de dois em dois anos. Llewellyn Banks-Hughes, responsável pela Shipping Innovation, organização responsável pelo certame, esteve na apresentação e considerou que, apesar de Portugal ser um pequeno país, “partilha com Inglaterra uma grande frente marítima”, mas também “uma grande herança marítima”. Depois de os grandes operadores portuários e logísticos se terem virado para Ásia, nomeadamente para grandes portos como Xangai ou Hong-Kong, o objetivo é voltar de novo os olhos para a Europa, incluindo Portugal. “Vamos começar de forma pequena, mas a ideia é pôr Portugal no mapa”, referiu. Além de conferências, a Portugal Shipping Week vai também realizar várias visitas técnicas ao terreno, incluindo ao Porto de Sines e a vários reservatórios petrolíferos.

Na mesma semana, nos dias 19 e 20, no pavilhão 1 da Feira Internacional de Lisboa (FIL), no Parque das Nações, vai também decorrer o Seatrade Cruise Med 2018, considerado um dos maiores eventos mundiais (o maior na região do Mediterrâneo, segundo o Ministério do Mar) dedicado ao sector dos cruzeiros. Lídia Sequeira, presidente da administração dos portos de Lisboa e Setúbal, sublinhou que este será “um momento privilegiado para a confirmação de Lisboa com um dos principais portos mundiais”, contabilizando, para já, a confirmação da vinda a este certame de 100 autoridades portuárias, “mais de 60 países representados e mais de 75 executivos das principais linhas de cruzeiros”.

De acordo com a responsável, o novo terminal de cruzeiros de Lisboa tem impulsionado a abertura da cidade ao mundo e, entre janeiro e maio deste ano, já chegaram mais de 192 mil passeiros à capital, onde atracaram 109 navios – um aumento de 21% e 15%, respectivamente, face ao mesmo período do ano passado. E, a confirmarem-se as previsões, até ao final do ano, serão mais de 600 mil passageiros e 350 escalas, “o melhor ano de sempre no segmento de cruzeiros”, apontou a responsável.

Coincidindo com o fim da semana Portugal Shipping Week, nos dias 20 e 21 de setembro, irá decorrer, mais uma vez, o Oceans Meeting 2018, um evento promovido anualmente pelo Ministério do Mar – lançado pelo anterior Governo e que Ana Paula Vitorino continua a apoiar – e que traz a Portugal vários governantes mundiais e representantes das principais entidades internacionais ligadas aos oceanos. Várias sessões de discussão vão decorrer na Cordoaria Nacional, em Belém, sobre temas como a economia circular no Mar, transporte marítimo ‘verde’ e sustentável (green shipping) ou inovaçao portuária e economia azul de valor acrescentado (port tech clusters).

Este evento terá o seu ponto alto na reunião que vai juntar ministros do Mar de vários países. Na última edição, foram cerca de seis dezenas. “Será um momento em que nós todos, quem tem a responsabilidade política, terá de assumir cada vez mais compromissos e levá-los cada vez mais longe”, afirmou Ana Paula Vitorino, que admitiu ter uma “agenda muito ambiciosa, que vai da economia à ciência, da inovação aos portos como aceleradores económicos”.

Em cima da mesa à volta da qual se reunirão os decisores políticos, explicou Ana Paula Vitorino aos jornalistas, estarão medidas concretas como a redução de combustíveis fósseis no transporte marítimo e o aumento do uso de gás natural liquefeito (GNL), assim como programas de literacia ocêanica. “Para que as novas gerações saibam tratar dos oceanos e gerarem riqueza a partir dele, no futuro”, referiu.

Esta “onda” de eventos internacionais ligados ao mar culminará em Outubro, entre os dias 2 e 4, no centro de conferências do Estoril, em Cascais, com a realização da BioMarine Business Convention. Trata-se de uma plataforma internacional que junta empresas, investidores e organismos de investigação e pesquisa da área da Economia Azul. Não é a primeira vez que assenta amarras no Estoril. Já o tinha feito em 2014, numa conferência em que esteve presente o Príncipe Alberto do Mónaco. Quatro anos depois, regressa, com uma feira de exposições dedicadas a áreas tão diferentes como a área alimentar (com as microalgas), aplicações tecnológicas portuárias até à biotecnologia azul (para sectores como a farmacêutica e a cosmética).