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Juros em alta e bolsas no vermelho na zona euro à espera do BCE

Os juros da dívida pública registam subidas na abertura desta quinta-feira no mercado secundário e as praças europeias têm os índices bolsistas em queda. Taxa para as obrigações portuguesas a 10 anos sobe para 1,97% e índice PSI 20 em Lisboa cai quase 1%

Jorge Nascimento Rodrigues

A poucas horas de se conhecerem as decisões sobre política monetária da reunião desta quinta-feira do conselho do Banco Central Europeu (BCE), os juros da dívida soberana dos países da zona euro estão em alta no mercado secundário, na maioria dos casos, e as bolsas europeias estão a negociar no vermelho.

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro português a 10 anos abriram esta quinta-feira, no mercado secundário, a subir para 1,97%, depois de, no dia anterior, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) ter pago 1,919% no leilão que realizou no mercado primário. A trajetória de alta é geral na zona euro, com a exceção, por ora, da Irlanda.

A bolsa de Lisboa negoceia no vermelho em linha com a trajetória de queda nas praças da zona euro. O índice PSI 20 perdia 0,94% pelas 8h30 (hora portuguesa). O índice Eurostoxx 600 (das seiscentas principais cotadas europeias) recuava 0,66% e o índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) caía 0,47%. Em Roma, o MIB perdia 0,7%, em Paris o CAC 40 caia 0,5%, em Frankfurt o DAX recuava 0,3% e em Madrid o Ibex 35 registava uma queda similar.

O endurecimento da política monetária pela Reserva Federal norte-americana (Fed) na reunião de ontem, o fiasco da cimeira do G7 antevendo guerras comerciais e o seu impacto num maior abrandamento do crescimento económico mundial, a incerteza sobre a trajetória do governo italiano em relação ao euro e à União Europeia e as divergências no seio da zona euro sobre o aprofundamento da sua integração estão a marcar negativamente o 'sentimento' dos investidores na dívida e nas bolsas.

Ainda ontem o primeiro-ministro holandês Mark Rutte sublinhou perante o Parlamento Europeu as divergências em relação ao aprofundamento da integração na zona euro e na União depois do Brexit. "Unidade [europeia] e ainda mais união não são a mesma coisa", referiu. De um modo claro acentuou: "A promessa básica do euro foi que traria a todos mais prosperidade, não uma redistribuição da prosperidade". A Holanda opõe-se a propostas no sentido de um orçamento europeu ou mesmo a um esquema de empréstimos para apoiar o investimento ou um novo fundo para incentivar reformas estruturais.

Este quadro geoeconómico e geopolítico recomenda cautela por parte do BCE nas suas decisões sobre política monetária. Os analistas esperam que o conselho inicie hoje em Riga a discussão sobre a descontinuação do programa de compra de ativos (vulgo quantitative easing, QE no acrónimo em inglês), mas dividem-se sobre se os resultados do debate se traduzirão já hoje em sinais claros sobre a forma como o fecho do QE se vai realizar ou se essa orientação futura deslizará para as próximas reuniões de julho ou mesmo de setembro.

O BCE publicará o comunicado oficial da reunião antes das 13h (hora portuguesa) e a conferência de imprensa do presidente Mario Draghi inicia-se pelas 13h30.

Recorde-se que o QE foi prolongado até final de setembro e que Draghi já se pronunciou contra uma paragem súbita do programa a 1 de outubro. Muitos analistas consideram muito provável que o programa venha a ser descontinuado gradualmente até final deste ano.

Esta reunião de política monetária do BCE é a primeira em que participará como vice-presidente o ex-ministro espanhol Luis de Guindos e como governador do Banco de Espanha Pablo Hernández de Cos, que tomou posse a 11 de junho. Guindos substituiu Vítor Constâncio na vice-presidência, cujo mandato terminou no final de maio.