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Investidores exigem juros mais elevados para comprarem dívida de Itália e Portugal

A incerteza sobre a política face ao euro por parte do novo governo italiano provocou um aumento do custo de financiamento para Lisboa e Roma que realizaram na quarta-feira leilões de dívida de médio e longo prazo pagando juros muito mais elevados do que nas operações anteriores. Decisões do Banco Central Europeu esta quinta-feira podem agravar ou travar esta trajetória de subida

Jorge Nascimento Rodrigues

Itália e Portugal pagaram juros muito mais elevados nas operações de dívida de médio e longo prazo realizadas na quarta-feira. O impacto do 'contágio italiano' em Lisboa foi muito claro e a penalização do custo de endividamento por Roma foi forte.

O mercado da dívida está muito pressionado sobre a incerteza da estratégia face ao euro e ao quadro atual das regras na União Europeia por parte do novo governo italiano assente na coligação entre o Movimento 5 Estrelas e a Liga (ex-Liga Norte), apesar das declarações recentes de alguns responsáveis que a saída do euro não está na mesa.

Não é, também, clara a orientação do Banco Central Europeu (BCE) em relação à descontinuação do programa de compra de ativos (e nomeadamente de aquisição de dívida pública dos países membros do euro no mercado secundário) após terminar o seu prolongamento no final de setembro. Os investidores aguardam as decisões da reunião do BCE desta quinta-feira em Riga e os sinais que Mario Draghi, o seu presidente, venha a dar na conferência de imprensa pelas 13h30 (hora portuguesa).

Roma teve de aumentar ontem a taxa de remuneração dos investidores em mais de 1 ponto percentual em relação aos leilões anteriores para conseguir colocar €4,1 mil milhões em títulos de 3 e 7 anos. No caso de Lisboa, o Tesouro disse adeus aos juros em mínimos históricos nas obrigações a 5 e 10 anos. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) pagou um adicional de cerca de 25 pontos-base (um quarto de ponto percentual) nos juros a 10 anos e de 22 pontos-base nos juros a 5 anos.

Alemanha paga menos

Em flagrante contraste, no mesmo dia, o Tesouro alemão na colocação de títulos a 10 anos pagou menos do que no leilão similar anterior - a taxa de remuneração caiu para 0,48% face a 0,62% na operação anterior.

Em Lisboa, o IGCP pagou 1,919% pela colocação de €588 milhões a 10 anos, quando, na operação anterior, havia conseguido a taxa mais baixa de sempre, de 1,67%. A 5 anos, Portugal emitiu €412 milhões pagando 0,746% face a 0,529% no leilão anterior.

Os leilões de dívida a três, sete e 30 anos em Roma foram os primeiros depois da tomada de posse do governo Conte. A 3 anos, o Departamento do Tesouro transalpino pagou ontem 1,16% face a 0,07% na operação anterior - uma remuneração 16 vezes superior! A 7 anos, pagou 2,37% face a 1,34% no leilão anterior, uma subida de mais de 1 ponto percentual. No prazo mais longo, a 30 anos, para emitir €1032,5 milhões teve de pagar 3,54% face a 2,88% na colocação anterior.