Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Banco central dos EUA endurece política monetária. Bolsas da América e Ásia agitam-se

A Reserva Federal norte-americana subiu na quarta-feira a taxa de juro em 25 pontos-base, como se esperava, mas os banqueiros centrais apontam, agora, para mais dois aumentos até final do ano, em vez de um só. As praças de Nova Iorque e da América Latina fecharam ontem no vermelho e a Ásia está esta quinta-feira em terreno negativo

Jorge Nascimento Rodrigues

A Reserva Federal norte-americana (Fed) deu na quarta-feira indicações de que está a endurecer a política monetária, com as projeções dos banqueiros centrais de Washington a apontarem, agora, para mais duas subidas da taxa diretora até final do ano, em vez de uma só. O impacto negativo no fecho das bolsas do continente americano na quarta-feira foi imediato e a onda vermelha prolonga-se esta quinta-feira na Ásia. com Seul, Taipé, Hong Kong e Tóquio a destacarem-se nas quedas.

As duas próximas subidas de juros pela Fed registam, agora, no mercado de futuros uma probabilidade de 80% para a reunião de 26 de setembro e de mais de 50% para a reunião de 19 de dezembro.A taxa diretora do banco central norte-americano deverá terminar o ano no intervalo entre 2,25% e 2,5% e os banqueiros centrais dos EUA projetam uma taxa de 3,375% no limite superior do intervalo em 2020.

Na reunião que terminou ontem, a Fed decidiu subir em 25 pontos-base (um quarto de ponto percentual) a taxa diretora e em 20 pontos-base (0,20 pontos percentuais) a taxa de remuneração das reservas dos bancos. Os juros subiram, depois desta decisão unânime, para o intervalo entre 1,75% e 2% no primeiro caso e 1,95% no segundo.

Os banqueiros centrais dos EUA consideram que a economia está em pleno emprego - preveem 3,6% de desemprego este ano e projetam 3,5% para o próximo ano - e que a inflação se vai manter acima da meta de 2% este ano e no seguinte.

O endurecimento da política monetária por parte do mais importante banco central do mundo provocou na quarta-feira uma quebra nas bolsas da América, com Nova Iorque a perder 0,4% e as praças das economias emergentes da América Latina a caírem 0,43%. As maiores quedas registaram-se nos índices Merval de Buenos Aires, com uma descida de 1,7%, e iBovespa, de São Paulo, com uma perda de 0,9%. As economias emergentes, em particular as mais endividadas em dólares, vão estar na primeira linha do impacto negativo da subida das taxas em Washington.

Na Ásia, esta quinta-feira, as maiores quedas registam-se no índice Kospi de Seul, com perdas de 1,8%, no índice geral de Taiwan, com uma redução de 1,43%, e no índice Hang Seng, de Hong Kong, com uma descida de 1,41%, para dados às 7 horas (hora portuguesa). A mais importante praça asiática, Tóquio, fechou com o índice Nikkei 225 a perder 0,99%. Em Xangai, a segunda praça asiática mais importante, o índice composto está em queda, ainda que muito mais limitada do que nas outras praças.

Os futuros para o índice Dax de Frankfurt e para o S&P 500 de Nova Iorque estão no vermelho.