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BCE termina programa de estímulos em dezembro e reduz compras mensais para metade no último trimestre

O conselho do BCE decidiu esta quinta-feira anunciar o fim do programa de compra de ativos em dezembro e vai reduzir a partir de outubro o volume de aquisição mensal para €15 mil milhões, metade do ritmo até final de setembro. Os banqueiros centrais do euro não mexeram nas taxas de juro e reafirmam a política de reinvestimento das amortizações dos títulos adquiridos ao abrigo do QE

Jorge Nascimento Rodrigues

O conselho do Banco Central Europeu (BCE) decidiu por unanimidade na reunião desta quinta-feira em Riga terminar com o programa de compra de ativos, vulgo quantitative easing (QE, no acrónimo em inglês) no final do ano, segundo o comunicado agora divulgado. Trata-se de uma decisão importante que será melhor explicada pelo presidente Mario Draghi na conferência de imprensa que se realiza a partir das 13h30 (hora portuguesa).

Na prática, o programa cujo prolongamento deveria terminar no final de setembro, foi estendido até final de dezembro, implicando uma redução para metade do volume de aquisições no último trimestre do ano. Até final de setembro mantém-se o atual ritmo de compra de ativos em €30 mil milhões passando, depois, de outubro a dezembro, para €15 mil milhões.

Os banqueiros centrais do euro decidiram não só discutir já nesta reunião o futuro do QE como antecipar o anúncio público do seu fim no final do ano. Muitos analistas previam o adiamento desse anúncio para as reuniões de julho ou mesmo de setembro.

A decisão está em linha com a expetativa de que não haveria uma paragem súbita no final de setembro, opção manifestada por Draghi, e que o processo de descontinuação se estende até final do ano, agregando a compra de mais €45 mil milhões de ativos nos últimos três meses do ano. No entanto, o comunicado faz a ressalva que a decisão para o terceiro trimestre estará sujeita a informação futura confirmando as previsões de médio prazo para a inflação.

O BCE decidiu não mexer no quadro de política monetária convencional, não alterando nenhuma das taxas de juro, mantendo-as nos mínimos históricos atuais, nomeadamente 0% para a taxa diretora e -0,4% para a taxa negativa de remuneração dos depósitos dos bancos.

Prováveis mexidas das taxas depois do verão de 2019

Contudo, o BCE introduziu a indicação de que espera que os níveis presentes das taxas se mantenham “pelo menos durante o verão de 2019”, acrescentando a ressalva habitual de que poderão manter-se nos níveis atuais se for necessário assegurar que a inflação se mantém alinhada com as expetativas atuais do seu ajustamento sustentado em direção à meta de abaixo mas próximo de 2%. Os analistas têm apontado para a probabilidade das primeiras mexidas nas taxas surgirem na segunda metade do próximo ano.

Os banqueiros do euro reafirmaram que o BCE vai manter a política de reinvestir “por um período alargado de tempo” depois do fim do QE as amortizações que receber dos títulos dos países membros que detém em carteira e que foram adquiridos desde o lançamento do programa.

  • Os juros da dívida pública registam subidas na abertura desta quinta-feira no mercado secundário e as praças europeias têm os índices bolsistas em queda. Taxa para as obrigações portuguesas a 10 anos sobe para 1,97% e índice PSI 20 em Lisboa cai quase 1%

  • A incerteza sobre a política face ao euro por parte do novo governo italiano provocou um aumento do custo de financiamento para Lisboa e Roma que realizaram na quarta-feira leilões de dívida de médio e longo prazo pagando juros muito mais elevados do que nas operações anteriores. Decisões do Banco Central Europeu esta quinta-feira podem agravar ou travar esta trajetória de subida