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Pharol admite ir ao aumento de capital da Oi e tem um mês para o fazer

A Pharol, antiga PT SGPS, tem um mês para decidir se vai ao aumento de capital da brasileira Oi e mantém em aberto a possibilidade de ir. Se não for vê a sua posição diluída de 27% para 7,5%

Os credores da operadora brasileira Oi têm a partir de sexta-feira, e durante um mês, até ao dia 16 de julho, para exercer direito de preferência sobre as ações emitidas no âmbito da operação de aumento de capital, num máximo de 2,8 mil milhões de euros, foi anunciado esta terça-feira.

A Pharol, maior acionista da Oi, com uma participação de 27%, tem um mês para decidir se vai ao aumento de capital. Se não for ao aumento de capital verá a sua posição diluída para 7,5%, avançou ao Expresso fonte da Pharol. "Neste aumento (de capital) consideramos vários cenários, entre os quais acorrer (à operação). Para tal já temos autorização preliminar da Assembleia Geral", esclarece fonte oficial da empresa liderada por Luís Palha da Silva.

A Pharol sublinha porém que se o aumento de capital for a um preço "completamente" fora do mercado, cujo valor se situa nos 7 reais, não irá. "Poderá haver dois aumentos de capital da Oi. O primeiro através da conversão de dívida em capital, operação que há direito de preferência dos acionistas, mas a um preço completamente out of the market (7 R$), pelo que, nestas circunstâncias, não iríamos". "Um segundo (aumento de capital), por entrada de dinheiro fresco, a um preço atractivo (1,2R$)". Neste último caso, a Pharol admite ir ao aumento de capital da operadora brasileira, com quem a PT chegou a estar num processo de fusão, nunca concluído.

O aumento de capital é uma das medidas previstas no Plano de Recuperação Judicial, aprovado em dezembro passado em assembleia-geral no Rio de Janeiro. A Pharol, recorde-se, tem-se vindo a mostrar contra este Plano de Recuperação Judicial. E tem inclusive um plano de mediação em curso a contestar o processo.

A Oi precisa em comunicado que o aumento de capital “será realizado por meio da emissão de, no mínimo, 1.039.868.479 e de, no máximo, 1.756.054.163 novas ações, ordinárias nominativas e sem valor nominal, ao preço de emissão de sete reais [1,60 euros] por ação, de modo que o montante total da capitalização de créditos será de, no mínimo, 7.279.079.353,00 reais [1,6 mil milhões de euros] e de, no máximo, 12.292.379.141,00 reais [2,8 mil milhões de euros]”.

“O direito de preferência deverá ser exercido no prazo de 30 dias, contados a partir do dia 15 de junho de 2018 (inclusive), ou seja, até o dia 16 de julho de 2018 (inclusive), observados os prazos estabelecidos”, acrescenta a empresa em comunicado. A Oi alerta para o facto de as “ações adquiridas a partir do dia 15 de junho de 2018, inclusive, não farão jus ao direito de preferência, sendo negociadas ex-subscrição”.

Em meados de abril, o diretor financeiro da Oi, Carlos Brandão, já adiantou que pretendia concretizar o aumento de capital até junho.

A Oi está num processo de recuperação judicial desde 2016 com o objetivo de reduzir o passivo da empresa, que ronda os 65,4 mil milhões de reais (cerca de 16 mil milhões de euros).

O Plano de Recuperação Judicial propõe-se a reduzir o passivo da empresa, através da conversão de 72,12% da dívida suportada pelos credores, aos quais serão concedidos direitos sobre a companhia.

No ano passado o prejuízo atribuído aos acionistas da Oi recuou dos 8,0 mil milhões de reais (1,9 mil milhões de euros) de 2016 para 6,4 mil milhões de reais (1,5 mil milhões de euros).