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Justiça francesa quer um mediador nas negociações na sucursal francesa da Caixa

Na próxima quinta-feira, o tribunal vai oficializar o mediador para as negociações. Tanto os sindicatos que apoiam a greve, como os que não seguiram a paralisação, manifestaram-se satisfeitos

O Tribunal de Grande Instância de Paris pronunciou-se nesta terça-feira pela nomeação de um mediador nas negociações entre sindicatos e direção, cerca de dois meses depois do início da greve na sucursal francesa da Caixa Geral de Depósitos. A Justiça francesa vai ainda divulgar, a 26 de junho, a decisão sobre o pedido da intersindical FO-CFTC - que apoia a greve desde 17 de abril - para ter acesso ao plano de reestruturação acordado entre o Governo português e Bruxelas.

Na próxima quinta-feira, o tribunal vai oficializar o mediador para as negociações e, tanto os sindicatos que apoiam a greve, como os que não seguiram a paralisação, manifestaram-se satisfeitos, em declarações à agência Lusa. "A nomeação de um mediador é muito importante porque as reuniões eram sessões de assédio à comissão de negociação eleita pelos trabalhadores em greve, eram ataques constantes e recusas de analisar as nossas propostas. Um mediador vai trazer calma e serenidade nas discussões", disse à Lusa Cristina Semblano, porta-voz da intersindical FO-CFTC.

Hélder Gonçalves, delegado sindical da CGT, um dos dois sindicatos que não seguiram a greve, declarou à Lusa que "a intersindical FO-CFTC não queria que os sindicatos não grevistas participassem nas negociações e o mediador vai fazer com que toda a gente possa negociar para que a greve acabe", visto que "uma paralisação de dois meses num banco não se via em França desde 1974". Questionada pela Lusa sobre quando é que a greve poderá acabar, Cristina Semblano sublinhou que "são os trabalhadores que vão decidir em assembleia-geral", mas que, "ao fim de nove semanas, os trabalhadores só acabarão a greve quando houver a assinatura de um protocolo de fim de conflito".

Na próxima quinta e sexta-feira, haverá novas manifestações dos grevistas da CGD em Paris, junto à Autoridade de Controlo e de Resolução [o organismo francês de supervisão dos bancos], junto ao Consulado-Geral de Portugal e na Embaixada de Portugal em França. Até agora, houve seis protestos em Paris "contra a alienação da sucursal francesa": três realizaram-se junto à Embaixada, dois perto do Consulado - incluindo um em que participou o deputado do Bloco de Esquerda Moisés Ferreira - e um na Federação Bancária Francesa.

No dia 21 de junho, "uma pequena delegação" de trabalhadores vai ser recebida em Belém pelos assessores para os assuntos do Trabalho e para a Economia, depois de um "pedido de audiência urgente ao Presidente da República", em que a intersindical FO-CFTC alertava para a situação da sucursal francesa da CGD, com 48 agências e mais de 500 trabalhadores.

A redução da operação da Caixa Geral de Depósitos fora de Portugal (nomeadamente Espanha, França, África do Sul e Brasil) foi acordada em 2017 com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público.
Em 24 de maio, o Governo aprovou os cadernos de encargos com as condições para a venda dos bancos da CGD na África do Sul e em Espanha, segundo comunicado de Conselho de Ministros.

Em 10 de maio, Paulo Macedo afirmou querer manter a operação da CGD em França e adiantou que está a negociar isso com as autoridades, apesar de ter sido também acordada a sua venda, mas acrescentou que isso só acontecerá se a "operação for sustentável, rentável e solidária" com os esforços feitos pelo banco.

A redução da operação da CGD acordada com a Comissão Europeia passa também pelo fecho de 180 balcões em Portugal até 2020, cerca de 70 agências encerram este ano, entre as quais a maioria já este mês, de acordo com comunicado desta segunda-feira do banco público. Em 2017, fecharam 67 balcões, pelo que, com o encerramento destas 70 agências, a CGD terá ainda de fechar mais 43 balcões nos próximos dois anos.