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“Isto soa a aviso porque é um aviso”: os recados de Mário Centeno

JOHN THYS/AFP/GETTY

Os governos europeus não podem dormir sobre os louros e precisam de continuar o esforço de reformas estruturais. O recado foi deixado esta segunda-feira por Mário Centeno, numa conferência onde Klaus Regling, presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade, e credor de Portugal, diz que em Portugal "os portugueses sorriem mais agora do que há três anos"

A 10 dias da reunião do Eurogrupo onde serão dados passos no aprofundamento da União Económica e Monetária e numa altura em que internamente começam as negociações para o próximo orçamento de Estado, Mário Centeno deixou esta segunda feira, vários avisos quer na qualidade de ministro das Finanças quer na qualidade de presidente do Eurogrupo.

Numa conferência organizada pelo jornal Público sobre "o futuro do Mecanismo Europeu de Estabilidade", o ministro das finanças afirmou que, apesar de ser preciso tempo para "apagar o legado da crise", os governos "têm de continuar a trabalhar para reduzir os níveis de desemprego e de dívida acumulados, e os bancos têm de reduzir o crédito malparado". "Só isso permitirá libertar recurso para a economia ".

Mário Centeno refere mesmo que apesar de "a tentação para a complacência ser grande numa altura em que a economia cresce", os lideres europeus "não podem dormir sobre os louros". Centeno insiste o esforço de reformas estruturais deve ser contínuo, e dramatiza o tom, ao afirmar que "isto soa a um aviso, porque é um aviso".

Fundo europeu de resolução a caminho

O presidente do Eurogrupo disse ainda acreditar que até ao final do mês haverá "um acordo de princípio" sobre o Fundo Europeu da banca que estará a caminho.

Mário Centeno fez questão de dizer que que há "evidentemente ainda muito que fazer e que o Fundo Europeu da Banca "será apenas um passo" mas, na sua opinião, é um passo que "vai mudar a forma como os investidores avaliam o risco".

Mário Centeno, recordou ainda que "no mês passado, os ministros das finanças da União Europeia chegaram a acordo sobre regras para a redução de risco no sector bancário. Uma medida chave que acordamos visa obrigar os bancos a manter instrumentos nos seus balanços que garantam que os investidores são os primeiros a pagar a conta de um resgate. Trata-se de proteger o dinheiro dos contribuintes em futuras crises".

Sublinhando que "estes e outros compromissos deverão abrir caminho a novas decisões de partilha de risco a nível europeu, quando os chefes de estado e de governo se reunirem no final do mês", para dar corpo ao que tem sido a preparação destas decisões nos últimos seis meses.

E chamou a atenção para o facto de "quando falamos de novos instrumentos de partilha de risco, falamos também do Mecanismo. Existe um apoio muito alargado entre os ministros do euro para atribuir ao Mecanismo um novo instrumento para financiar o Fundo Único de Resolução bancária" Já que este instrumento, "mais conhecido por backstop, é o nosso instrumento de último recurso num cenário de crise sistémica, em o fundo que estamos a construir com as contribuições dos bancos se esgota".

Neste cenário, o presidente do Eurogrupo e ministros das Finanças afirma que, este instrumento "é uma peça importante do puzzle da nossa União Bancária, que dá credibilidade e fortalece a estabilidade do sistema financeiro. Neste momento, faltam-nos afinar apenas alguns detalhes nas negociações, como o processo de decisão na utilização da backstop e a sua data de introdução, que poderá ser antes de 2024".

Igualmente presente na conferência, o presidente do Mecanismo de Europeu de Estabilidade (MEE), Klaus Regling, apresentou mais uma vez Portugal como um dos "bons exemplos" da estratégia europeia de combate à crise, e defendeu que atualmente em Portugal "as pessoas sorriem mais agora do que há três anos".