Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Agricultores querem mais batata portuguesa no prato

D.R.

Agricultores querem ensinar portugueses a escolher a batata portuguesa. Campanha arrancou hoje em 700 lojas por todo o país

Cada português consome, em média, praticamente 94 quilos de batata por ano. É muita batata. Mas, muitas vezes, não é portuguesa. Vem de Espanha ou de França. E é precisamente isso que a campanha de promoção do consumo de batata nacional, que arrancou esta segunda-feira e é promovida pela Porbatata – Associação da Batata de Portugal, pretende alterar.

Ao longo das próximas semanas, em mais de 700 lojas distribuídas por todo o país, de hipermercados a superfícies comerciais de menor dimensão, este turbéculo de origem nacional vai estar em destaque. O objetivo, através de cartazes e folhetos, é dar a conhecer as características nutricionais da batata portuguesa e, sobretudo, a vantagem de consumir aquilo que é produzido localmente. O mote da campanha é, por isso, simples: “Batata portuguesa – Nasce à sua porta.”

António Gomes, presidente da Porbatata, uma associação criada há menos de dois anos para juntar produtores nacionais e trabalhar a imagem deste produto de origem portuguesa, explica que “nos anos mais recentes, este legume ganhou uma conotação menos positiva face a outros. Por um lado, ganhou fama de ser um alimento pouco saudável, que engorda. E, depois, passou a enfrentar a concorrência de outros produtos que entraram na moda, como a batata-doce, que passou a ter fama de fazer melhor do que a batata nova, fresca”.

A Porbatata junta cerca 45 produtores nacionais de batata, espalhados por todo o país, incluindo ilhas. “É das culturas tradicionais, em sequeiro ou regadios, mais transversais em todo o país. E junta pequenos e grandes produtores”, nota o dirigente.

Contudo, nas últimas décadas, tem vindo a perder fulgor. Portugal já chegou a produzir perto de 790 mil toneladas deste turbéculo, mas atualmente não vai além das 500 mil – com a área de produção também a cair dos 60 mil hectares, em 2000, para os atuais 27 mil hectares. Nem mesmo com os ganhos de produtividade das explorações, tem sido possível recuperar os níveis de antigamente. Em parte porque os agricultores nacionais têm-se virado para outras culturas, mais rentáveis.

“A concorrência da batata de outras origens, nomeadamente espanhola, francesa e belga, cultivadas em grande extensão e em regadio, tem sido feroz”, explica António Gomes. Chega ao mercado português mais barata do que o produto nacional – e o consumidor acaba por escolher o que é mais barato.

Pelas suas condições climatéricas, a colheita da batata consegue estender-se durante uma grande parte do ano. Inicia-se em junho, a partir do Algarve, e em outubro ainda é possível colher em geografias como Trás-os-Montes. “A partir dessa altura, começamos a importar”, aponta o responsável.

Portugal está longe de ser autosuficiente nesta cultura: consome mais de 900 mil toneladas, produz apenas 500 mil e ainda exporta 100 mil toneladas. “Importamos muito produto preparado, como batata pré-frita, por exemplo. O nosso objetivo é chamar a atenção para o benefício da batata fresca, produzida muito próximo dos locais de consumo” e, dessa forma, “estimular também a produção”, explica o responsável.

Esta iniciativa da Porbatata tem, também, a missão de diferenciar este legume, à semelhança do trabalho que começou a ser feito noutras áreas como forma de valorizar a produção nacional – como, mais recentemente, com a obrigatoriedade de menção do país e da origem da carne.

Esta iniciativa, “sem grandes recursos financeiros”, conta com o apoio da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição e com o Ministério da Agricultura, além da Associação Portuguesa de Nutrição. “Além do impacto positivo para o ambiente em comparação com batata de outras origens, uma vez que é produzida muito próximo dos locais de consumo e por isso implica menos horas de transporte e menos gastos em energia de conservação, a batata nacional, que é uma das bases da dieta mediterrânica, tem muito boas características nutritivas e organoléticas”, entre as quais António Gomes destaca: “É um amido, mas é de fácil assimilação e digestão. Não tem gordura e é uma excelente fonte de vitamina C e de minerais como o potássio. A batata, ao contrário do que tem vindo a ganhar forma nos últimos anos, não faz mal. Pelo contrário, faz bem à saúde, nas quantidades certas e sem frituras e outros ingredientes menos saudáveis. O problema, e isso acontece com todos os outros alimentos, é a forma como se come.”