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Antiga Immochan vai fazer escritórios e um hotel

A antiga Immochan — agora Ceetrus — deixa de ser uma empresa que apenas desenvolve e gere shoppings

d.r.

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Primeiro foi o retalho alimentar, agora chegou a vez do imobiliário. Cerca de dois meses depois de mudar o nome dos super e hipermercados Pão de Açúcar e Jumbo para Auchan Retail, o grupo francês Auchan anuncia que a Immochan — a dona dos centros comerciais Alegro em Portugal — vai passar a chamar-se Ceetrus.

“Iniciamos hoje [a 5 de junho] um novo passo no processo de mudança iniciado há dois anos”, diz ao Expresso o diretor-geral da Ceetrus em Portugal, Mário Costa. “A nova marca é um novo começo”, acrescenta. Um começo que vai muito mais além do que uma mudança de nome e de imagem, uma vez que logótipo também se alterou.

“Esta nova marca reflete a nossa nova identidade enquanto promotor imobiliário com uma estratégia de diversificação de áreas de negócio que vai muito além da simples gestão de centros comerciais. Vamos capitalizar essa experiência no sector imobiliário comercial para ir mais longe, realizando projetos multiusos que contribuem para o desenvolvimento sustentável de áreas urbanas e para o bem-estar dos seus habitantes”, explica ao Expresso.

Ou seja, a antiga Immochan — agora Ceetrus — deixa de ser uma empresa que apenas desenvolve e gere shoppings, como acontecia até agora, para se transformar numa promotora que realiza todos os tipos de projetos imobiliários, de preferência integrados. E em Portugal vai começar pelos escritórios e pela hotelaria.

“Temos atualmente em curso um projeto de escritórios com hotel, restauração e retalho”, adianta Mário Costa, sem avançar mais detalhes. Sabe-se sim que será um projeto integrado à imagem do que a Ceetrus já está a fazer noutras geografias onde está presente como promotora de centros comerciais.

“Alguns dos investimentos que estão atualmente em curso e que representam a estratégia da Ceetrus em apostar em projetos mistos são, por exemplo, a Hungria com habitação e logística; a Roménia com escritórios e habitação; o projeto da Europacity em França que pretende criar uma nova centralidade em Paris ou o projeto da Ceetrus em Espanha, na estação de Vigo, com 125 mil metros quadrados dinamizados no centro da cidade”, conta Mário Costa.

€510 milhões para Portugal

Este primeiro projeto multiusos em Portugal, que junta os escritórios à hotelaria, está a ser desenvolvido de raiz, mas o objetivo da Ceetrus passa também por aproveitar os centros comerciais que já têm e transformá-los em projetos multiusos. “Pretendemos que os ativos atuais sejam reforçados com outras áreas de atividade para criar espaços de vida multiusos de acordo com as atitudes e ambições assumidas na nossa nova estratégia”, diz.

Não é, por isso de admirar, que tenha havido um reforço do plano de negócios da empresa. “Os nossos investimentos são sempre geridos num objetivo a cinco anos. A nível global investiremos cerca de €4,5 mil milhões entre 2018 e 2022 e em Portugal, temos previsto para esse período, investimentos que rondam os €510 milhões”, revela Mário Costa.

Investimentos que, diz, estarão muito alicerçados em capitais próprios. “A Ceetrus gere internacionalmente linhas de financiamento e investe sempre com alta participação de capitais próprios”.

Empresa na ribalta

A Ceetrus, ainda como Immochan, sempre teve um perfil de empresa discreta, contudo este ano tem dado que falar e por bons motivos.

Protagonizou o maior investimento deste ano em imobiliário comercial — pelo menos até à data — ao comprar por €410 milhões o Fórum Sintra, o Sintra Retail Park e o Fórum Montijo.

E agora não só anuncia a mudança de nome, a nível global é verdade, como prepara investimentos de €510 milhões em Portugal que, certamente, criarão mais emprego no país.

Capital que será aplicado não só em novos projetos multiusos criados de raiz, como aliás está definido nesta nova estratégia da empresa, mas também em novos centros comerciais e na integração de escritórios, hotelaria ou habitação com os shoppings que já tem no país. Nomeadamente os da marca Alegro, como o de Alfragide ou o de Setúbal, que resultaram ambos da expansão das galerias comerciais dos hipermercados Jumbo que ali existiam há já muitos anos.