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Banco de Portugal avisa que subida de preços no imobiliário pode implicar riscos para os bancos

Um dos edifícios na Baixa do Porto que está a ser reabilitado

D.R.

Relatório de Estabilidade Financeira sublinha que valorização das casas não tem sido alimentada a crédito bancário mas, ainda assim, uma quebra no mercado pode ter consequências para o sistema financeiro

O Banco de Portugal (BdP) alerta que a subida dos preços no mercado imobiliário, a continuarem ao ritmo de que tem acontecido, pode representar riscos para a estabilidade financeira. "Ainda que as indicações de sobrevalorização em termos agregados sejam muito limitadas, a duração é a rapidez do crescimento dos preços podem implicar riscos para a estabilidade financeira em caso de persistência ou reforço desta dinâmica", refere o BdP no Relatório de Estabilidade Financeira hoje divulgado.

O documento dedica um capítulo ao mercado imobiliário em Portugal onde faz uma radiografia ao aumento dos preços no mercado residencial (habitação) e comercial, sendo o primeiro o segmento com mais rápidas valorizações nos últimos tempos. E esta valorização, mesmo que não seja alimentada por crédito, pode ter consequências para o sistema financeiro.

É isso, aliás, que o BdP sublinha ao referir que "não existe evidência de que o crédito bancário interno esteja a ser o determinante primordial do aumento dos preços no mercado imobiliário" mas que, ainda assim, uma eventual decréscimo "acentuado [dos preços] teia efeitos negativos sobre o setor bancário".

E justifica que apesar dos riscos, a procura de imobiliário por parte de investidores "apresenta vantagens para as instituições de crédito domésticas no contexto atual", porque "facilita a venda de imóveis detidos pelas instituições de crédito e, por outro lado, contribui para a diminuição dos NPL [ativos problematicos como malparado] associado a crédito garantido por imóveis". Acrescentando que "80% do investimento no mercado imobiliário comercial em 2017" foi efetuado por não residentes, maioritariamente fundos"

O setor do turismo tem sido um fator dinamizador, assim como o investimento direto por não residentes, mas a sua inversão pode alterar esta dinâmica. "O abrandamento da atividade económica nacional, em particular a redução do rendimento motivado pela quebra das receitas associadas ao turismo e a dinâmica do alojamento local, poderá, conduzir, numa primeira fase, a dificuldades por parte dos mutuários no cumprimento do serviço da dívida, e numa segunda fase, a vendas de ativos imobiliários é consequente efeito na correção em baixa dos precos".

Como fatores determinantes da procura de imóveis residenciais, o BdP, destaca "a melhoria do rendimento das famílias e redução do desemprego, um nível baixo das taxas de juro e menos restrições na concessão de crédito, assim como uma forte dinâmica do ator do turismo, sobretudo o alojamento local.. E, por fim, a procura de habitação por não residentes, muito associada a autorizações de residência.