Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Quase nove em cada dez jovens entram no mercado de trabalho com contratos a prazo

No ano passado, cerca de 170 mil trabalhadores vincularam-se pela primeira vez à Segurança Social. Destes, 86% foram com contratos a termo

A contratação a termo é a forma como a esmagadora maioria dos jovens entram no mercado de trabalho em Portugal. E esta é uma realidade que se tem mantido - e até reforçado - nos últimos anos. Ou seja, a recuperação económica não tem alterado este padrão de precariedade laboral para os jovens.

Os números são esclarecedores. No ano passado vincularam-se pela primeira vez à Segurança Social (ou seja, iniciaram a sua carreira contributiva) cerca de 170 mil pessoas. E os contratos a termo representaram 86% deste total, avança fonte oficial do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Ou seja, foram quase nove em cada dez pessoas de um universo que retrata, sobretudo, os jovens que entraram no mercado de trabalho ( já que abrange apenas as pessoas que se vincularam pela primeira vez à Segurança Social).

O padrão é similar a anos anteriores. E até foi reforçado. Em 2016 esta percentagem ficou igualmente nos 86% e, em 2015 estava nos 81%, indica a mesma fonte.

Números que as alterações à legislação laboral, acordadas na Concertação Social na semana passada e que serão discutidas no Parlamento no início de Julho, podem ajudar a mudar. “A expectativa é que as novas regras levem a uma redução destes números”, indica fonte governamental.

Em causa estão medidas como a limitação das possibilidades legais de uso dos contratos a termo (nomeadamente em relação a jovens e desempregados de longa duração); a introdução da contribuição adicional para a Segurança Social para empresas com contratação a termo superior à média do seu sector de atividade; ou o alargamento do período experimental também para trabalhadores à procura do primeiro emprego (o que abrange sobretudo os jovens) e desempregados de longa duração.

O alargamento do período experimental tem estado no centro da polémica, mas fonte governamental justifica esta medida com a eliminação da possibilidade legal de contratação a termo destas pessoas, sem necessidade de justificação. “O verdadeiro período experimental que tínhamos para os jovens em Portugal eram os contratos a prazo. Era entendido pelos empresários como o verdadeiro período experimental. Isso vai deixar de existir”, destaca a mesma fonte.