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Queda nos combustíveis trava exportações

Fatores extraordinários penalizaram as vendas ao exterior no primeiro trimestre. Automóveis destacam-se pela positiva

É um evento com impacto imediato nas exportações portuguesas. No primeiro trimestre, as vendas ao exterior de combustíveis recuaram 10% em termos homólogos (avaliadas a preços correntes), ditando uma queda de 8,1% na classe dos produtos minerais, “refletindo a paragem cíclica de produção nas refinarias da Galp”, aponta uma nota de análise do BPI, que antecipa que “este efeito ao longo do ano se dilua, pelo que as exportações continuarão a contribuir de forma muito positiva para o crescimento económico”.

Não foi o único fator extraordinário a penalizar as vendas ao exterior nos primeiros meses do ano. Márcia Rodrigues, economista do Millennium bcp, acrescenta as paragens técnicas na Autoeuropa por falta de peças — que retiraram uma semana à produção — e o efeito calendário — com a semana da Páscoa a ocorrer este ano em março e não em abril, houve menos dias úteis de trabalho.

Certo é que as exportações abrandaram, penalizando o crescimento da economia no primeiro trimestre (ver texto em baixo). Em termos reais, as vendas ao exterior aumentaram 4,6% (variação homóloga), o que compara com 7,3% nos últimos três meses de 2017. Desagregando, as exportações de bens subiram 4,4% (6,7% no quarto trimestre de 2017) e as de serviços avançaram 5,3% (8,9% no trimestre anterior).

“A desaceleração teve sobretudo a ver com os bens, já que, ao nível dos serviços, as exportações de turismo continuaram dinâmicas”, aponta Márcia Rodrigues. É isso que mostram os dados do Instituto Nacional de Estatística (para os bens) e do Banco de Portugal (para os serviços), que permitem analisar ao detalhe o comércio internacional. E indicam que, em termos nominais (e já não reais), as exportações de viagens e turismo subiram 17,4% no primeiro trimestre em termos homólogos (21% no quarto trimestre de 2017). Contudo, houve um abrandamento, que se estendeu ao conjunto dos serviços, penalizados também por um crescimento mais moderado nos transportes e nos serviços de manutenção e reparação.

Autoeuropa decisiva

Quanto aos bens, as exportações subiram apenas 2,7% em termos nominais (8,4% no quarto trimestre de 2017), penalizados, como já referido, pelos combustíveis. Mas não só. Quando se olha para os tipos de bens com maior peso nas vendas lusas ao exterior, o comportamento negativo estendeu-se às máquinas e aparelhos (-3,8% em termos nominais); aos produtos das indústrias alimentares, bebidas e tabaco (-3%); e às matérias têxteis (-0,2%).

No extremo oposto esteve o material de transporte (onde se incluem os automóveis), com um aumento de 35,3% em termos homólogos. Ou seja, mais €555,9 milhões. Acresce que “o anúncio de que a Autoeuropa irá aumentar a sua produção a partir de setembro, tenderá a refletir-se em reforço das exportações a partir do último trimestre do ano”, salienta uma nota de análise do BPI.

Em termos de países destino, destaca-se a estagnação das exportações de bens para Espanha, que é, de longe, o principal comprador a Portugal (mais de 25% do total). Os combustíveis foram determinantes, com um recuo de 14,5% nos produtos minerais, a par dos têxteis (queda de 7,9%). Em sentido inverso, as vendas de material de transporte subiram 14,2%.

Material de transporte que ajuda a explicar muito do aumento nas exportações de bens para França e Alemanha (segundo e terceiro maiores clientes lusos). No total, as vendas subiram 8,7% e 7,3% em termos homólogos nominais, respetivamente, com a variação no material de transporte a atingir 36,3% e 20,2%.