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Évora quer 60 empresas tecnológicas, da saúde e aeronáutica

Soumodip Sarkar, que se especializou na área do empreendedorismo e inovação, tendo publicado livros sobre o tema, lidera o PACT desde o início de abril

FOTO JOSÉ CARLOS CARVALHO

Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia investe €5 milhões na construção de dois edifícios

Pedro Lima

Pedro Lima

Editor-adjunto

Até 2020, Évora deverá tornar-se uma cidade incontornável no panorama do empreendedorismo em Portugal — prevê-se que será nessa altura que o Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT) estará plenamente operacional. Para isso vão ser investidos cerca de €5 milhões na construção de dois edifícios que permitirão, no total, albergar à volta de 60 empresas ligadas às tecnologias, saúde e aeronáutica.

Esta é a expectativa de Soumodip Sarkar, professor na Universidade de Évora que a 6 de abril assumiu o cargo de presidente executivo do PACT, entidade criada com o objetivo de se impor como “centro de inovação, conhecimento e tecnologia, na representação internacional do Alentejo”.

O projeto conta para já com a presença de empresas como a Glintt — Global Intelligent Technologies, o CEiiA — Centro de Excelência para a Inovação da Indústria Automóvel e a Critical Software que, segundo Soumodip Sarkar, deverá começar a apostar mais no software para a aeronáutica, com a contratação de 20 engenheiros, aproveitando o cluster da aeronáutica, do espaço e da defesa que se instalou na região.

Soumodip Sarkar, que é também, desde 7 de maio, vice-reitor da Universidade de Évora com os pelouros do empreendedorismo, inovação e cooperação institucional, destaca ainda a presença de algumas startups oriundas da universidade, nomeadamente a AlentApp, que desenvolve software personalizado. É, afirma, algo que quer incentivar, não escondendo a ambição de envolver o conhecimento da universidade e dos politécnicos. “Tenho a ideia de criar um portal onde os professores submetem as suas ideias e que esteja disponível a toda a gente.

Queremos promover mais concursos, ter mais startups”, diz. Outra parte da estratégia passa por “sensibilizar os professores. Um dos problemas para que chamei a atenção há 15 anos e que persiste é que os professores precisam de fazer alguma transição do conhecimento, não só por via dos artigos que escrevem mas também através da criação de startups, algo que ainda hoje não é bem visto.”

“Queremos criar um centro de conhecimento na área aeroespacial e da saúde em Évora”, afirma, lembrando que a universidade lançou recentemente uma cátedra nesta área.

A primeira fase do PACT foi inaugurada a 15 de setembro de 2015 e conta também com uma aceleradora de empresas, que passou a estar operacional recentemente. A segunda fase, que arranca em breve, contará com fundos europeus, mas também haverá uma comparticipação nacional, que virá da universidade e de outros parceiros, “algumas empresas que temos estado a convidar”. Um dos dois novos edifícios deverá ser dedicado apenas ao sector aeronáutico. Mas, explica o presidente do PACT, a aposta daqui para a frente será também na área da saúde, nomeadamente no tratamento de dados.

“A minha ideia é convidar para o PACT não só empresas europeias mas também da China, Índia, Estados Unidos e México”, explica. Évora tem a ganhar com o facto de Lisboa estar na moda, pois é uma alternativa mais barata, a pouco mais de uma hora e meia de distância. “As empresas estão à procura de outras zonas pois Lisboa está a ficar muito cara”, acrescenta.
A universidade tem a maioria do capital do PACT, que quando foi criado, a 28 de dezembro de 2011, teve também como fundadores o BES, a Glintt, os institutos politécnicos de Santarém, Portalegre e Beja, a Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (ADRAL), a DECSIS — Sistemas de Informação e a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE).

Soumodip Sarkar acredita que o empreendedorismo não é uma moda. “Acho que este movimento está para durar. Estou muito otimista”. Mas identifica alguns problemas: a “falta de engenheiros” no país é um deles. Por outro lado, há que agilizar a fiscalidade. “A minha sugestão é que se simplifique todo o procedimento fiscal para as startups. Devemos dar-lhes algum período de carência”. E, acrescenta, “o capital de risco em Portugal é ainda muito fraco. Era necessário mais apoio por esta via”.