Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Juros de Portugal e na zona euro em alta. Itália lidera subidas

Os juros das obrigações portuguesas a 10 anos subiram esta quarta-feira para 1,76% pressionados pelo contágio norte-americano e italiano. Os títulos dos EUA a 10 anos registam, de novo, juros acima de 3% e as obrigações italianas dispararam para mais de 2%. Movimento altista influenciou colocação de Bilhetes do Tesouro pelo IGCP

Jorge Nascimento Rodrigues

A zona euro está a registar esta quarta-feira um movimento de subida dos juros da dívida de longo prazo no mercado secundário. O contágio altista tem proveniência em duas geografias: Washington com o regresso dos juros acima de 3% no prazo a 10 anos e Roma com os juros, naquela maturidade, a galgarem, de novo, os 2%, o que já não acontecia desde o início de março.

As yields (juros) das Obrigações do Tesouro (OT) português subiram para 1,76% esta quarta-feira pelas 11 horas, uma subida de dois pontos-base em relação ao fecho do dia anterior.

Estas taxas estão em alta há três sessões consecutivas. Em relação ao fecho de abril, os juros já subiram 10 pontos-base, de 1,66% para 1,76%. Estão, agora, claramente acima da taxa paga pelo Estado no leilão de OT a 10 anos realizado a 9 de maio, quando a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) pagou 1,67%, a taxa mais baixa de sempre em operações de colocação de dívida no mercado primário.

Movimento altista influenciou leilão de Bilhetes do Tesouro

O movimento altista provocou uma subida ligeira nas taxas negativas que o IGCP pagou esta quarta-feira no leilão de Bilhetes do Tesouro a 6 e 12 meses onde emitiu €1750 milhões. Portugal colocou €500 milhões no prazo mais curto com uma taxa de -0,351% (menos negativa do que a de -0,44% paga no leilão anterior) e €1250 milhões no prazo a 1 ano pagando uma taxa de -0,272% (menos negativa do que a de -0,31% paga no leilão anterior).

Uma taxa negativa significa que os investidores 'pagam' para ter títulos, e quanto mais negativa for mais 'pagam'. "A ligeira subida de taxas negativas (e do custo do endividamento de curto prazo) está em linha com a subida na curva da dívida soberana europeia, tanto na dívida curta como na dívida longa. Mesmo assim as taxas das emissões portuguesas não são tão negativas quanto as dos nossos pares europeus, pelo que os investidores mantêm o interesse pela dívida portuguesa", refere Filipe Silva, diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa.

Nos EUA, os juros dos títulos a 10 anos registaram na terça-feira um máximo de sete anos ao fecharem em 3,08%. Esta quarta-feira desceram ligeiramente para 3,06%, mas já fecharam acima do limiar psicológico dos 3% em duas sessões consecutivas esta semana.

Incerteza italiana

Em Itália, os juros no prazo a 10 anos subiram esta quarta-feira para 2,04%, estando 26 pontos-base acima do fecho do final de abril. A distância em relação aos juros portugueses ampliou-se de 12 para 28 pontos-base. O prémio de risco da dívida italiana situava-se em 122 pontos-base no final de abril e subiu para 140 pontos-base esta quarta-feira. No caso do prémio português subiu apenas de 110 para 114 pontos-base.

A subida mais acentuada dos juros em Itália está a ser motivada pela incerteza política sobre a orientação do futuro governo caso se concretiza uma coligação entre o Movimento 5 Estrelas, o mais votado nas eleições em março, e a Liga (ex-Liga Norte) que lidera uma aliança de direita que tem o maior número de deputados no parlamento. O Financial Times, na sua edição de ontem, titulava que "Roma abriu as portas aos bárbaros modernos" e que o programa que pode sair dessa coligação "causa preocupações".

Um dos pontos de nervosismo foi o destaque dado pela edição italiana do site Huffington Post a um ponto do acordo de princípios entre as duas forças exigindo o perdão da dívida italiana ao Banco Central Europeu (BCE), avançando com um valor de €250 mil milhões a cancelar. O Movimento e a Liga vieram dizer, depois, numa nota conjunta, que se tratava de uma versão antiga do acordo que foi "radicalmente modificada". O acordo mais recente retirou da mesa a questão da discussão da permanência no euro.

O BCE e o Banco de Itália tinham em carteira, em final de abril, títulos italianos no valor de €341 mil milhões comprados ao abrigo do programa em vigor desde março de 2015, a que se somam €49 mil milhões da 'herança' do programa de compra de obrigações entre 2010 e 2012.