Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Turismo subiu 10,3% em março com o efeito da Páscoa

José Caria

Quatro milhões de dormidas em março, segundo o INE, refletem o resultado da Páscoa. Mas o Algarve já tem dados de abril e avança que as quedas sentidas refletem o regresso de destinos antes afetados pela Primavera Árabe

Em março, o volume de hóspedes nos hotéis nacionais cresceu 11,6% para 1,5 milhões e o total de dormidas aumentou 10,3% atingindo 4 milhões, segundo os resultados da atividade turística em março divulgados esta terça-feira pelo Instituto nacional de Estatística (INE).

Os crescimentos em março comparam com o mês homólogo do ano passado e, como nota o INE, refletem o facto de a Páscoa ter decorrido em março, enquanto em 2017 foi em abril. Ainda assim, comparando com 2016, em que a Páscoa decorreu igualmente em março, verificou-se este ano um aumento de hóspedes de 12,4% e de proveitos hoteleiros de 28%.

O crescimento mais acelerado dos proveitos hoteleiros face ao número de hóspedes foi uma tendência verificada em março e no acumulado do primeiro trimestre. Segundo o INE, os proveitos hoteleiros cresceram em março 17,5% para 220 milhões de euros.

Em março destacaram-se ainda os crescimentos de 16,3% do mercado interno, a par da subida em flecha de 75,1% dos espanhóis (turistas para quem a Páscoa é tradicionalmente um período relevante para férias). Do lado dos estrangeiros, evidenciaram-se os crescimentos de 22,8% dos turistas da Suécia, de 22,3% dos turistas dos Estados Unidos ou de 16,3% dos turistas do Brasil.

Na análise por regiões, o Alentejo destacou-se com aumentos de 29,9% em março. No mês em que se celebrou a Páscoa, também o Norte registou subidas de 18,9% e a região Centro de 17,4%.

A estada média dos turistas em março foi de 2,64 noites, o que segundo o INE representa uma descida de 1,1% (refletindo um aumento de 4,7% no caso dos residentes e uma queda de 3,2% no caso dos estrangeiros). A taxa líquida de ocupação-cama atingiu 43%, num aumento de 2,8 pontos percentuais.

Para a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, estes resultados “refletem o crescimento sustentado da atividade turística, com o contínuo alargamento a todo o território e ao longo do ano, bem como a dinamização do turismo interno, que constituem prioridades da estratégia que estamos a implementar”.

Algarve avança queda de 9,7% em abril refletindo a recuperação da Turquia

Apesar de não haver ainda dados de abril disponíveis no INE, permitindo comparar Páscoa com Páscoa, a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) adianta que a taxa de ocupação-quarto caiu 9,7% em abril, comparativamente com o mês homólogo do ano passado (em que decorreu a Páscoa), situando-se em 58,3%.

Os mercados que apresentaram as maiores descidas no Algarve em abril comparativamente com o mês homólogo do ano passado foram à cabeça os ingleses (com uma descida de 20,5%), mas também os holandeses ( que recuaram 14,6%), os alemães (menos 11,9%), e sobretudo os espanhóis (com uma expressiva queda de 43,1%), a par dos portugueses (menos 10,3%).

Segundo a AHETA, os proveitos dos hotéis do Algarve caíram em abril 16,3%, e em termos acumulados, desde o início de 2018, a taxa de ocupação por quarto registou uma descida de 2,2%, mas o volume de negócios aumentou 2,4%.

Para a a associação de hotéis do Algarve, "a Páscoa justifica a grande quebra de turistas nacionais e espanhóis neste mês", mas enfatiza que "a descida do mercado britânico não pode ser dissociada do Brexit".

Além da queda dos ingleses em abril, a AHETA considera que "as descidas verificadas nos restantes mercados emissores resultam, em boa medida, da recuperação dos principais destinos concorrentes como Turquia, Egito, Tunísia, Grécia ou Croácia".