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RTP. Presidente não desfaz dúvidas sobre saída de Paulo Dentinho

Sai Paulo Dentinho, entra Carlos Daniel na direção de informação da RTP? Depois se verá.

Na audição parlamentar que esta tarde decorreu na Assembleia da República, Gonçalo Reis, presidente da RTP, não esclareceu se Paulo Dentinho permanecerá como diretor de informação ou se Carlos Daniel foi convidado para lhe suceder.

Mas, numa das respostas aos deputados referiu que o atual diretor “tem todas as condições para encontrar soluções para os desafios que o novo plano estratégico da RTP “ vai colocar no plano da informação.

A mensagem que Gonçalo Reis deixou foi de combinar estabilidade, sem cristalização e com ambição.

RTP "não é um animal embalsamado"

“Valorizamos a estabilidade”, mas a RTP não é “um animal embalsamado” e deve aspirar a um novo patamar de qualidade.

O presidente do conselho de administração elogiou o trabalho de Paulo Dentinho, lembrando que “é o diretor com mais longevidade dos últimos 20 anos”. A análise é “muito positiva” pelo “equilíbrio, pluralismo, independência e diversidade” da informação.

Mas, a narrativa de Gonçalo Reis inclui um segundo andamento. Como gestor “acredito sempre que é possível fazer melhor, incorporar desafios adicionais, apostar na valorização do jornalismo praticado com mais reportagem, investigação, contraditório, mais país e mais noticiário local”.

Zelar pela autonomia da RTP

A audição na Comissão Parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, requerida pelo grupo parlamentar do PS há dois meses, surgiu na sequência de notícias, referindo que Carlos Daniel fora convidado para suceder a Paulo Dentinho como diretor de informação.

A deputada socialista Carla Sousa justificou o requerimento invocando “um tropeção estatutário”, ao convidar um novo diretor de informação sem ter o novo plano estratégico aprovado. Carla Sousa alegou que “a boataria” não desmentida à volta do tema, gerava sobressalto e agitação na RTP. Um hipotético convite era um caso de "por o carro à frente dos bois”.

Para o PSD “este era um não caso”. O debate essencial na RTP centra-se no modelo e no novo estratégico.

Na resposta a Carla Sousa, Gonçalo Reis citou uma declaração à Lusa em que desmentia o convite e que o facto concreto era este: a direção de informação continua, tranquilamente, em funções, dois meses depois da primeira notícia sobre a substituição.

Como e verifica, “ninguém foi demitido, a direção de informação está em funções”, referiu Gonçalo Reis que se refugiou nas atribuições do Conselho Geral Independente para evitar entrar em detalhes do plano estratégico.

Por várias vezes, Gonçalo Reis falou em “ponderação” e no “respeito escrupuloso” pelas regras processuais. Mas, não pode “haver tabus”. A administração tem de “zelar pela autonomia da empresa”, cabendo-lhe, no tempo certo, escolher a direção de informação.

É da competência da administração “fazer ajustes e estar com antenas abertas” para ambicionar uma novo patamar.

Jorge Campos, deputado do BE com uma carreira ligada ao jornalismo da RTP, foi direto ao assunto. Mas, a informação vai ter um novo diretor ou vai ficar o atual? Gonçalo Reis manteve-se evasivo. A equipa de Paulo Dentinho está a fazer um trabalho notável, mas é sempre preciso definir novas metas e é possível fazer melhor. Identificados os novos desafios, a nova administração, presidida por Gonçalo Reis, fará as escolhas adequadas.