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Maioria dos portugueses conhece faturas e pagamentos online, mas nem metade os utilizam

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Pela primeira vez o número de portugueses que nunca usaram a internet ficou abaixo da fasquia dos 20%. Há 500 mil novos utilizadores online em Portugal desde 2016, mas ainda falta maturidade digital

Cinco meses e 35 mil quilómetros depois, Alexandre Nilo da Fonseca conseguiu medir o pulso da realidade digital em algumas regiões do país. Através da MUDA - Movimento pela Utilização Digital Ativa, organismo que fundou, milhares de portugueses tiveram a oportunidade de assistir a aulas sobre a utilização da internet e receber apoio personalizado num roadshow por várias cidades do país.

“Criámos o primeiro email de muitas pessoas”, explica esta terça-feira, mostrando-se surpreendido com o facto de ainda existirem jovens em Portugal que não têm conta de email.

Na verdade, 19% da população portuguesa nunca utilizou a internet - e, apesar de existirem jovens neste universo, a maioria destas pessoas tem mais de 64 anos, rendimentos baixos e vive nas zonas rurais.

As conclusões são dos dados provisórios do primeiro barómetro da GfK-MUDA sobre os hábitos e comportamentos digitais dos portugueses, que esta terça-feira foi apresentado numa conferência de imprensa em Lisboa. Números mais animadores do que os divulgados pela Comissão Europeia, que identificavam 22,3% de portugueses que nunca tinham utilizado a internet em 2017.

Ainda assim, os resultados obtidos em maio deste ano mostram uma evolução face à realidade dos anteriores. Embora Portugal seja um dos países da União Europeia com maior percentagem de info-excluídos (26% em 2016, segundo a GfK), desde essa altura existem 500 mil novos utilizadores de internet em Portugal.

Falta de conhecimento sobre a utilização online (para 43% das pessoas) e dificuldade de acesso a equipamento ou ligação à internet (26%) são dois dos motivos apresentados pelos portugueses que nunca acederam ao mundo digital. “O risco de exclusão digital para determinados grupos da população é particularmente elevado em Portugal”, alertou recentemente a Comissão Europeia no relatório de 2017 “Digital Economy and Society Index”.

No entanto, “o aumento do número de portugueses que passaram a utilizar a internet é particularmente significativo no último ano e é um passo fundamental para tornar Portugal num país mais avançado e inclusivo”, afirma o diretor-executivo do MUDA, movimento focado nos portugueses não digitais ou que utilizam o online de forma escassa.

Embora a maioria dos utilizadores da internet saiba que pode receber faturas eletrónicas, realizar pagamentos online ou aceder ao banco na internet, menos de metade utiliza estas ferramentas. É por isso que a MUDA está focada em aumentar o número de pessoas que utiliza os serviços digitais das empresas e do Estado. “Em Portugal, tudo o que está relacionado com a maturidade digital está abaixo da média europeia”, sublinha.

Focada na sensibilização e melhoria da experiência online da população portuguesa, a MUDA está a fazer recomendações para alteração da legislação existente. O objetivo é aliviar alguns obstáculos à digitalização da relação entre empresas e consumidores - nomeadamente, através da criação de um sistema de autenticação comum para serviços do Estado e de empresas e da eliminação da obrigatoriedade de arquivar documentos em papel durante vários anos.

No próximo ano, o movimento vai apostar na expansão da rede de voluntários (jovens focados em ajudar familiares ou amigos nestas questões) e lançar um programa de formação nas escolas. Já no ano passado, o movimento que conta com mais de 30 parceiros em vários sectores chegou a mais de um milhão de portugueses.