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Crescimento da economia portuguesa abranda

Face ao trimestre anterior, o INE realça que "contributo da procura externa foi negativo, após ter sido positivo no trimestre anterior". PIB cresceu 2,1% nos três primeiros meses do ano, menos que os 2,4% do trimestre anterior

O crescimento da economia está em modo de abrandamento em 2018. No primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) registou uma subida homóloga de 2,1% e 0,4% face ao trimestre anterior, de acordo com a estimativa rápida divulgada esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Este desempenho compara os valores do período anterior de 0,7% em cadeia e de 2,4% na variação homóloga. E traduz uma travagem superior às estimativas generalizadas.

A média das estimativas recolhidas pela agência Lusa apontava para um crescimento de 0,6% em cadeia. Mas, o BCP na nota de conjuntura da última semana referia até evolução homóloga de 1,7% e em cadeia de 0,1%.

Exportações afetam

Segundo o INE, a procura externa "registou um contributo mais negativo, em resultado da desaceleração mais acentuada das exportações". O contributo positivo da procura interna estabilizou no 1º trimestre, verificando-se uma ligeira travagem do consumo privado.

O Investimento apresentou um crescimento ligeiramente mais acentuado, diz o INE.

Face ao trimestre anterior, o INE realça que "contributo da procura externa foi negativo, após ter sido positivo no trimestre anterior". As exportações cresceram menos do que as importações.

O Governo, no programa de Estabilidade, lida com um cenário de crescimento anual de 2,3%, em linha com o Banco de Portugal. Uma estimativa inferior à previsão do FMI que depois de uma revisão alta aponta para 2,4%. A Comissão Europeia está menos otimista e acredita num crescimento de 2,2%.

BBVA otimista, BCP cético

O banco BBVA é o que se mostrava mais otimista quanto ao desempenho trimestral, mantendo "as tendências no consumo e no investimento". Esperava um crescimento de 0,7% em cadeia, e aponta para 2,3% para o conjunto do ano.

Na nota de conjuntura da última semana, o Millennium BCP referia uma evolução homóloga de 1,7% e em cadeia de 0,1%. Segundo a nota, a travagem no crescimento decorria "da redução significativa do contributo das exportações", que terão sido "negativamente afetadas pelas paragens de produção da Autoeuropa, em março". Mas, a nota terminava num tom otimista: "Excluindo a possibilidade de um choque externo, esperamos que a economia portuguesa retome a níveis de crescimento mais robustos no resto do ano".

No fim de abril, a síntese de conjuntura do ISEG - Instituto Superior de Gestão e Economia apontava para um crescimento homólogo de 2,3% e de 0,6% em cadeia no 1º. trimestre. Por componentes, "admite-se um melhor desempenho do consumo privado, menor crescimento do investimento e alguma incerteza em termos de procura externa líquida", afirmava o ISEG.

Por sua vez, o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) da Universidade Católica apontava para crescimento de 0,5% em cadeia e 2,1% na variação homóloga.

A economia portuguesa está a passar pela fase de crescimento mais forte desde o início do século, tendo o PIB crescido 2,7% em 2017 (o Governo previa 2,6%), contra 1,5% em 2016. O Programa de Estabilidade refere um crescimento anual de 2,3% para 2018 e 2019.