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Porto é capital mundial do calçado por uma semana

Luís Onofre

Ugo Camera

Esta semana, os olhares do mundo estão voltados para a indústria portuguesa de calçado e para o congresso da UITIC. No centro do debate estão os produtos, os serviços, a tecnologia do futuro. No terreno, o palco de todas as visitas são as empresas portuguesas do sector

Esta semana, o Porto é o palco central da indústria mundial do calçado. A cidade acolhe, quinta e sexta-feiras, o Congresso da UITIC - União Internacional de Técnicos da Indústria do Calçado, com o foco na moda, na indústria, na tecnologia. E, já a partir de hoje, o sector abre as portas de algumas das suas fábricas para mostrar porque é que esta é a indústria mais sexy da Europa e tem "grandes ambições".

"Da moda à fábrica: uma nova era tecnológica" é o tema deste Congresso, que traz ao Porto 500 profissionais de 33 países para discutir o estado e futuro da "arte" em Portugal e no mundo. Antes do arranque oficial dos trabalhos, entre hoje e quarta-feira, há visitas a duas dezenas de empresas mais e menos conhecidas do sector, da Kyaia à Procalçado ou a Anjonel, para todos poderem conhecer, no terreno, a realidade nacional.

"Há uma grande curiosidade relativamente ao grau de sofisticação tecnológica das empresas portuguesas de calçado", sublinha Luís Onofre, presidente da APICCAPS - Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, para explicar este programa de visitas a acompanhar o maior evento técnico do sector.

Foi a crescente visibilidade internacional dos sapatos made in Portugal que atraiu a UITIC a Portugal, desafiando a APICCAPS E O CTCP - Centro Tecnológico do Calçado a organizar esta edição do seu congresso.

O que mudou em 20 anos

Até agora, só em 1996 esta união internacional tinha escolhido Portugal para o seu evento anual. E, desde então, "praticamente tudo se alterou na indústria portuguesa", sublinha Leandro Melo, diretor-geral do CTCP.

"Nos anos 90, Portugal ambicionava ser uma referência na indústria do calçado no plano internacional. Nesse período, iniciaram-se os primeiros investimentos em Investigação e Desenvolvimento, nomeadamente com o projeto Fábrica do Calçado do Futuro. Hoje, já exportamos tecnologia para todo o mundo. Evoluímos do ponto de vista técnico e tecnológico, o que nos permitiu oferecer ao mercado soluções de excelência", explica.

A aposta na marca própria chegou mais tarde, mas hoje "Portugal já se distingue pela produção de calçado de enorme qualidade, mesmo nos domínios de produto de cariz mais técnico, e pelo serviço exemplar, respondendo mais rapidamente do que os concorrentes internacionais às encomendas", acrescenta.

Em debate, estarão temas como "novos produtos e novos serviços ligados às necessidades dos consumidores", "desenvolvimento inteligente e produção", "sustentabilidade, transparência da cadeia de abastecimento e tendências regulatórias que afetam as fábricas", "fábricas centradas no homem e novas formas de gestão".

Exportações caíram no trimestre

Com 38 mil postos de trabalho e uma produção anual de 80 milhões de pares de sapatos para 152 mercados. a indústria portuguesa de calçado viu as suas exportações crescerem mais de 60%, para 1.950 milhões de euros no ano passado, e assume a ambição de ser "líder mundial na relação com os clientes, através da sofisticação do produto, da resposta rápida e do serviço".

Apesar do ciclo de crescimento continuo do sector, a bater recordes na exportação há oito anos consecutivos, os primeiros três meses do ano fecharam nos 357 milhões de euros, com uma quebra de 1,7% ou 6,5 milhões de euros na frente externa, a refletir o impacto das descidas de 3% em França e de 7 % na Alemanha.