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FMI reúne-se na sexta-feira para analisar resgate à Argentina

A comissão executiva do Fundo Monetário Internacional analisa informalmente dia 18 de maio o pedido de Buenos Aires de uma linha de crédito face à crise cambial. O porta voz de Washington adiantou esta segunda-feira que o objetivo é chegar a “um acordo rápido” nas negociações que se iniciaram na semana passada

Jorge Nascimento Rodrigues

O Fundo Monetário Internacional (FMI) vai analisar esta semana o pedido de apoio do governo de Mauricio Macri para enfrentar a crise cambial da Argentina. Gerry Rice, o porta-voz do Fundo, anunciou em nota oficial, esta segunda-feira, que a comissão executiva dirigida por Christine Lagarde vai reunir-se informalmente na próxima sexta-feira para discutir a solicitação da Argentina para obter um financiamento condicionado (linha de crédito stand by), que deverá envolver 30 mil milhões de dólares (€25 mil milhões). Entretanto, os técnicos do FMI continuarão o “diálogo com as autoridades argentinas com vista a obter-se um programa apoiado pelo Fundo”, refere a nota oficial. “O nosso objetivo é chegar a um acordo rápido nestas negociações”, diz o FMI.

Depois da declaração do Fundo, Mauricio Macri falou ao telefone cerca de dez minutos com Donald Trump no sentido de obter um apoio explícito dos EUA nas negociações com o Fundo, informou o governo em Buenos Aires. Durante o fim de semana, o presidente argentino falou com Mariano Rajoy, tendo obtido o apoio de Espanha, que secundou as manifestações no mesmo sentido do Brasil, Chile, China, França, Holanda, Japão e México.

O Fundo esclareceu, ainda, que não colocará, nas negociações, nenhuma condição especial associada ao câmbio do peso. A Argentina segue um regime de cambio flutuante que o FMI declara apoiar “plenamente”. “O FMI não colocará nenhuma condicionalidade ligada a nenhum nível particular de câmbio como parte de um programa e não discutiu nenhum objetivo específico para a taxa de câmbio”, lê-se na nota oficial.

A clarificação por parte do Fundo surge na sequência de notícias garantindo que uma desvalorização mais acentuada seria uma das condições a impor à Argentina, pois no último relatório sobre a economia do país publicado no final do ano passado ao abrigo do artigo IV do FMI, os técnicos de Washington consideravam que o peso ainda estava sobreavaliado em termos reais em 10 a 25%. O Instituto da Finança Internacional (IIF, no acrónimo em inglês) estimava em fevereiro que a depreciação necessária do peso em termos reais rondava 15%. “A taxa de câmbio deverá continuar a ser determinada pelas forças do mercado”, sublinhou, esta segunda-feira, o FMI.

Recorde-se que o presidente argentino surpreendeu na quarta-feira passada os mercados anunciando que o governo iria pedir o apoio do FMI. Uma delegação, chefiada pelo ministro das Finanças Nicolás Dujovne, acabaria por reunir no dia seguinte em Washington com a diretora-geral do Fundo.

A decisão do governo em Buenos Aires surgiu depois do Banco Central da República Argentina ter subido três vezes seguidas a taxa diretora para 40%, o nível mais alto do mundo, e de ter usado 6 mil milhões de dólares (€5 mil milhões) das reservas em divisas entre 23 de abril e 8 de maio, cerca de 10% do valor no início desse período. O peso já desvalorizou em relação ao dólar 9% desde início do mês e mais de 19% desde início do ano.