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Edifício República 37, em Lisboa, ganha três prémios

Prédio foi totalmente recuperado e pertence à chinesa Engi, das primeiras a investir no país

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O nome não engana. O República 37 fica na Avenida da República, em Lisboa, mais precisamente do lado esquerdo de quem sobe do Saldanha para o Campo Pequeno, a apenas dois quarteirões da pastelaria Versailles e na esquina com a Avenida Miguel Bombarda. Construído no século XIX, não é um edifício pequeno — tem quase cinco mil metros quadrados (m2) — e o seu desenho apalaçado e a fachada curva não o deixam passar despercebido. Muito menos agora que foi totalmente recuperado e reconvertido no seu uso original, ou seja, habitação.

Foi precisamente esse trabalho — da autoria do arquiteto Frederico Valsassina e que ficou concluído em maio de 2017 — que fez com que o República 37 vencesse em três categorias do Prémio Nacional de Reabilitação Urbana: projeto residencial, obra na cidade de Lisboa e reabilitação estrutural. Algo que nunca tinha acontecido em seis anos de Prémio.

“É um edifício que tem uma presença grande e que ganhou pela qualidade geral da intervenção. Foi um trabalho exemplar que fizeram no exterior, nos interiores, nas coberturas que, nestes edifícios antigos são muito complexas, e ainda na integração de um edifício novo de desenho contemporâneo”, diz ao Expresso o arquiteto João Santa Rita, um dos júris.

O depois e o antes. O República 37, que fica na esquina da Av. da República com a Miguel Bombarda, em Lisboa, sofreu uma reabilitação profunda que se destacou por preservar os elementos existentes, como os frisos dos tetos, dos vãos das janelas, dos trabalhos em ferro em algumas das janelas e portas, os azulejos do chão ou os pisos de madeira. O exterior também preservou os elementos existentes, mas transformou um imóvel que passava algo despercebido num dos edifícios de maior destaque daquela avenida

O depois e o antes. O República 37, que fica na esquina da Av. da República com a Miguel Bombarda, em Lisboa, sofreu uma reabilitação profunda que se destacou por preservar os elementos existentes, como os frisos dos tetos, dos vãos das janelas, dos trabalhos em ferro em algumas das janelas e portas, os azulejos do chão ou os pisos de madeira. O exterior também preservou os elementos existentes, mas transformou um imóvel que passava algo despercebido num dos edifícios de maior destaque daquela avenida

Mas houve duas características que mais impressionaram: o restauro dos elementos da época (ver fotografias) e o trabalho feito na estrutura. “Construíram cinco pisos abaixo do solo para garagens sem fazer demolições e reforçaram a estrutura antiga do edifício”, adianta outro dos elementos do júri que não quis ser mencionado.

De facto, na candidatura pode ler-se o seguinte: “O estado degradado do edifício obrigou ao reforço da sua estrutura e à introdução de elementos corta-fogo entre pisos”. Além disso, “insistiu-se na recuperação das fachadas originais e dos seus interiores. (...) Elementos como as portas e portadas em madeira, as sancas, os frisos e rodapés de época foram recuperados ou substituídos por novos que imitam na perfeição a sua forma original”.

Mais qualidade
 nos candidatos

“O República 37 é um bom exemplo de que vale a pena fazer bem feito. Mas não é o único. Na edição deste ano há muitas obras de muita qualidade o que significa que se está a fazer cada vez melhores reabilitações”, repara João Santa Rita. E, em todo o país, destaca o engenheiro e presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, Manuel Reis Campos, outros dos elementos do júri onde participam o economista João Duque, o arquiteto João Carlos Santos e e o engenheiro João Appleton.

De facto, os 76 candidatos estão espalhados por 20 concelhos, alguns menos óbvios como Barcelos, Cinfães ou Castelo de Paiva. E na lista dos premiados, além de Lisboa e Porto — que ainda é onde se faz mais reabilitação no país — há também vencedores em Matosinhos, Arouca e Marco de Canaveses. Além disso, há intervenções de vários tipos, desde habitação, escolas, hotéis ou armazéns transformados em escritórios, como foi o caso da sede da Abreu Advogados.

Projeto chinês

No século XIX, o República 37 era um prédio de habitação, mas nos últimos anos estava a ser usado para escritórios e até escolas. Apesar de não ser dos mais degradados daquela avenida (ver fotografias) estava a precisar de obras. Em 2010 foi comprado por um promotor espanhol, que entretanto faliu e o deixou nas mãos do Sabadell que, em 2014, o vendeu à Engi, uma das primeiras empresas chinesas a investir em imobiliário em Portugal.

O República 37 foi, aliás, o primeiro projeto que fizeram cá, tendo investido €7 milhões nas obras que o transformaram de novo num edifício de habitação, agora com 27 apartamentos de luxo, dos quais apenas cinco estão ainda à venda. “Já no século XIX tinha sido construído para um nível social mais elevado. Era um dos melhores da época”, conta ao Expresso o arquiteto João Santa Rita.

O República 37 foi também uma das primeiras reabilitações naquela avenida. Desde então já muitas outras foram completadas e muitas outras estão em curso, como o República 55, também da Engi e também para habitação.