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Casas com vistos gold cada vez mais arrendadas

As casas nas Torres São Gabriel e São Rafael foram compradas por chineses com vistos gold

Nuno Botelho

O Parque das Nações deixou de ter volumes de casas desocupadas por proprietários ausentes, sobretudo chineses

O Parque das Nações é a área de Lisboa com a maior incidência de casas adquiridas mediante concessão de vistos gold a cidadãos estrangeiros, em particular a chineses, os grandes compradores dos apartamentos nas Torres São Gabriel e São Rafael no complexo do shopping Vasco da Gama, além de outros edifícios na zona dos hotéis. Mas não se veem casas fechadas ou vazias por os proprietários residirem no exterior, uma vez que estão a ser postas no mercado em arrendamento.

“Os vistos gold foram um fato à medida dos chineses, que inicialmente compraram as casas e vinham cá uma vez por ano”, refere Luís Lima, presidente da APEMIP, associação de imobiliárias. “Mas estes clientes começaram a querer rentabilidade, até pelos custos de manutenção das casas, e nos últimos anos passaram a colocá-las em arrendamento”.

A Junta de Freguesia do Parque das Nações identificou 818 edifícios habitacionais no seu território em 2015, equivalendo a 11.527 alojamentos com 8366 famílias residentes, mas o foco na altura era fazer o diagnóstico para efeitos de habitação social, uma vez que a freguesia integra na zona poente os bairros sociais Casal dos Machados e a Quinta das Laranjeiras.

Cristiano Ronaldo também tem uma segunda habitação

“Temos uma grande heterogeneidade em termos habitacionais e o diagnóstico precisa de ser atualizado”, frisa Anabela Pinto, responsável pelo departamento de ação social da Junta de Freguesia do Parque das Nações, lembrando que os problemas nos bairros sociais na zona poente são muito diversos da zona sul, marcada por segundas habitações de classes médias-altas “e onde há muito o mercado dos vistos gold”, ou da zona norte, onde residem famílias de forma mais permanente.

Com a forte componente de segunda habitação, como é o caso do edifício Espelho do Tejo, onde Cristiano Ronaldo é um dos condóminos, cabe aos proprietários a decisão de as arrendar ou não. Segundo Tatiana Santos, gestora de condomínios da 12 avos e com uma série de edifícios no Parque das Nações, “grande parte das casas são arrendadas, e normalmente quando as pessoas as compram já é na perspetiva de as colocar em arrendamento”.