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Resort lançado por Luís Filipe Vieira sai do papel

Projeto ocupará 22 hectares junto à praia de Benagil, no Algarve

FOTO ana baião

Novo Banco está a licenciar projeto de €180 milhões que foi lançado em 2007 pelo presidente do Benfica

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O empreendimento turístico de Benagil, no Algarve, deverá sair do papel em 2019, 12 anos depois de a Inland, de Luís Filipe Vieira, ter apresentado o projeto. A Benagil Promoção Imobiliária já entregou o Estudo de Impacte Ambiental do projeto à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, para licenciar o empreendimento, cujo investimento global ascende a €180 milhões.

O projeto foi inicialmente desenvolvido pela Inland, mas a empresa de Luís Filipe Vieira acabou por entregá-lo ao Banco Espírito Santo (BES). Hoje os terrenos no Algarve são do fundo FIMES Oriente, detido pelo Novo Banco. Com um capital próprio de quase €53 milhões, a empresa promotora do complexo turístico precisará, para que o empreendimento avance, de financiamento adicional.

No final de 2017 o FIMES Oriente tinha um capital de €277 milhões. Além de Benagil, este veículo do Novo Banco tem em mãos o projeto de reconstrução do edifício Baptista Russo, em Lisboa, e outros loteamentos na zona oriental da capital. O relatório e contas de 2017 do fundo é omisso quanto às perspetivas para Benagil.

O estudo de impacte ambiental revela a escala do projeto. Haverá um hotel com 150 quartos, estando aí previstos 105 postos de trabalho. Além disso será construído um aldeamento com 364 camas e 91 empregos, bem como uma oferta de apartamentos com 580 camas e 116 postos de trabalho.

A Benagil Promoção Imobiliária prevê construir as infraestruturas gerais do loteamento durante o ano 2019, mas a construção de todas as unidades do empreendimento deverá durar uma década, até 2029.

O empreendimento ficará no concelho de Lagoa. Quando foi anunciado, em 2007, ainda sob a promoção da Inland, obteve o estatuto de projeto de potencial interesse nacional (PIN), mas esse “passaporte” para a desburocratização do licenciamento acabou por servir de pouco perante a conjuntura de crise que se instalou em Portugal e o facto de a Inland ter em mãos outros projetos com investimento avultado, nomeadamente no Brasil.

Em 2007 Benagil foi apresentado como um projeto de €220 milhões. Agora, sob o controlo do Novo Banco, o complexo turístico está orçado em €180 milhões. O loteamento, que está em consulta pública até 14 de junho, ocupará uma área de 22 hectares, dos quais três hectares para o hotel (que terá quatro ou cinco estrelas) e os restantes 19 hectares para o aparthotel e aldeamento turístico.

Este resort levou a Inland a ser alvo, em janeiro de 2016, de uma inspeção tributária da Direção de Finanças de Lisboa, conforme o Expresso já noticiou. Em causa estava um conjunto de empréstimos contraídos pela Benagil Promoção Imobiliária com impacto no exercício fiscal de 2012.

Naquele ano a Benagil registou um empréstimo de €6,6 milhões do BES e um outro suprimento da Inland de €4,1 milhões, recursos que serviram para a aquisição de terrenos, realização de estudos e projetos e pagamento de outros financiamentos. Mas a exposição ao BES era bem mais elevada, como veio a revelar a lista dos maiores devedores do banco, que o Expresso publicou no final de 2015.

Só a empresa Benagil tinha financiamento do BES de €48 milhões. No total, o império imobiliário de Luís Filipe Vieira somava €381 milhões de dívidas ao BES, aí se incluindo outros empreendimentos turísticos de grande escala que também tiveram o selo PIN do Governo de José Sócrates, como o também algarvio Verdelago (que o BES financiou em pelo menos €18 milhões).