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Quem ganha com a OPA chinesa à EDP? Fundos americanos e estados estrangeiros

Duas sociedades gestoras americanas e quatro estados estrangeiros possuem perto de 30% do capital da EDP. Uma coligação contra a oferta da China impede a desblindagem dos estatutos que limita a 25% os votos dos acionistas.

Na oferta pública de aquisição (OPA) do Estado chinês que a avalia a EDP em 11,9 mil milhões de euros quem fica a ganhar? Gestoras de fundos e estados como o Abu Dhabi, Qatari, Argélia e Noruega.

Apenas 11% do capital está nas mãos de residentes em Portugal, mas esta contabilidade estará distorcida pelo efeito das sociedades offshores detidas por portugueses e registadas no exterior.

O fundo de pensões do BCP é o único que surge na lista das participações qualificadas, com 2,4%. A EDP possuiu 0,6% de ações próprias.

A oferta chinesa de 3,26 euros por ação compara com uma cotação, na altura em que a negociação foi suspensa de 3,11 euros.

A questão do preço

Num círculo restrito de acionistas, um há uns meses atrás, o presidente da EDP, António Mexia, terá apontada como preço aceitável numa oferta para controlo da empresa, o valor de 3,65 euros por ação.

A proposta do consórcio chinês fica longe deste referencial e é inferior até ao preço que a China Three Gorges (CTG) pagou na operação de privatização, em 2011. Acionistas e analisas ouvidos pelo Expresso admitem que o preço pode não ser suficientemente tentador para convencer a comunidade acionista.

Para a OPA ter sucesso, o consórcio da CTG terá de seduzir, pelo menos, 22% do capital para atingir uma participação superior a 50%. A República Popular da China conta atualmente com 28,25%, o somatório das posições da CTG e da também estatal CNIC (5%).

Quatro estados com 11% do capital

E quem são os outros acionistas relevantes da elétrica? Duas gestoras americanas, uma família das Astúrias e quatro sociedades detidas por estados estrangeiros.

O Capital Group, através de vários fundos que gere, detém 12%. Outra gestora americana, muito ativa no mercado português, a BlackRock, declara 5%.

A família Masaveu, dona de uma das maiores fortunas das Astúrias conta, através de uma parceria com o Liberbank (Oppidum Capital), com 7,2%.

Seguem-se fundos ou empresas ligadas a estados. A participação do Abu Dhabi é a mais relevante (4,1%), seguida da argelina Sonatrach, uma das parcerias mais antigas da EDP (2,4%).

Investidor tradicional na bolsa portuguesa, o Norges Bank, o banco central norueguês que gere o fundo soberano do país, detém 2,7%.

O Qatar surge igualmente na lista das participações qualificadas - o Qatar Investment Authority detém 2,27%.

Em todos estes casos, o preço médio de aquisição é inferior aos 3 euros e a EDP tem aplicado nos últimos anos uma política generosa de distribuição de dividendos.

Os pequenos acionistas representam 33% do capital

A questão da desblindagem

Como reagirá esta comunidade acionista na assembleia geral para desblindar os estatutos, uma condição prévia para a operação avançar? Os estatutos limitam os direitos de voto a 25% do capital e a revisão precisa de uma maioria qualificada (dois terços).

Na EDP, a tradição diz que a participação de acionistas nas assembleias se cifra em 70%, Neste cenário, uma minoria de 23% consegue bloquear a alteração dos estatutos.

Os cinco maiores acionistas são suficientes para bloquear. Mas, falta saber se o consórcio chinês negociou antecipadamente com, por exemplo, o Capital Group, BlackRock ou a família Masaveu, antes de oficializar a operação.