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Chineses preparam OPA sobre a EDP

Luis Barra

Consórcio chinês, que inclui a China Three Gorges, está a preparar o lançamento de uma oferta pública de aquisição sobre a EDP, onde a República Popular da China já tem uma participação de 28,25%

Um consórcio chinês que inclui a China Three Gorges está a preparar o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a EDP, de acordo com informações obtidas pelo Expresso.

A OPA acontece num momento em que o Estado chinês já detém 28,25% do capital da EDP, e depois de nos últimos meses se ter especulado no mercado que a elétrica portuguesa poderia vir a fazer parte do movimento de consolidação no sector energético europeu.

Entre as empresas que, pelo seu perfil, eram apontadas no mercado como potencialmente interessadas numa aquisição da EDP estavam a italiana Enel e a francesa Engie. A própria China Three Gorges já havia manifestado disponibilidade para reforçar no capital da EDP.

Ao que o Expresso apurou, o Governo de António Costa não deverá criar qualquer entrave político à operação. Pelo contrário, deverá, para já, apoiar a mesma. Não é claro, para já, qual o sentido da recomendação que o conselho de administração da EDP dará aos acionistas, dado que, aparentemente, se trata de uma oferta não solicitada (ou seja, não articulada entre os vários acionistas da empresa).

A notícia surge um dia depois de a EDP ter apresentado os resultados do primeiro trimestre, cujo lucro baixou 23%, para 166 milhões de euros.

Na conferência com analistas do mercado esta sexta-feira de manhã não houve qualquer referência à vaga de consolidação no sector elétrico na Europa.

Estado chinês já tem 28,25% da EDP

A República Popular da China já detém 28,25% da EDP, juntando as participações da China Three Gorges (23,27%) e da CNIC (4,98%). Uma participação que deixava o Estado chinês a pouco mais de cinco pontos percentuais da obrigação de lançar uma OPA (que surge quando um acionista ultrapassa os 33,34%).

O segundo maior acionista da EDP atualmente é o norte-americano Capital Group (12%), seguido da espanhola Oppidum Capital (7,19%) e da norte-americana Blackrock (5%).

A composição acionista da elétrica presidida por António Mexia inclui ainda a Mubadala Investment Company (4,06%), o BCP (2,44%), Sonatrach (2,38%), Qatar Investment Authority (2,27%) e Norges Bank (2,75%).