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Portugal coloca €1200 milhões a taxas mais baixas de sempre

O Tesouro voltou a registar recordes de mínimos nas taxas de remuneração aos investidores em dívida a 5 e 10 anos nos dois leilões desta quarta-feira. Juros pagos foram inferiores aos registados no mercado secundário. Alemanha paga mais em leilão de títulos a 30 anos

Jorge Nascimento Rodrigues

Portugal voltou a financiar-se esta quarta-feira a taxas mais baixas de sempre na dívida a 5 e 10 anos.

Apesar da crise política italiana ter contagiado ligeiramente o mercado secundário da dívida da zona euro e de uma nova subida dos juros dos títulos norte-americanos a 10 anos acima do limiar psicológico de 3%, o Tesouro português colocou €1207 milhões em dois leilões de Obrigações do Tesouro (OT) a vencer em 2023 e 2028.

Com mais estas duas operações, o Tesouro já financiou, em menos de meio ano, 71% do montante previsto para a colocação de dívida obrigacionista em 2018. Desde início do ano, o Estado emitiu €3707 milhões através de leilões e €7000 milhões em duas operações sindicadas de lançamento de novas linhas a 10 e 15 anos. O financiamento necessário para 2018 através de emissão de obrigações aponta para €15 mil milhões.

A procura por parte dos investidores foi superior em duas vezes o montante colocado. A 5 anos emitiu €724 milhões e a 10 anos colocou €483 milhões. Apesar da boa procura, a colocação ficou ligeiramente abaixo do teto máximo de €1250 milhões previsto pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP).

Sentimento positivo dos investidores

“As duas emissões correram melhor do que o esperado, quer em termos de taxa, quer quanto à procura. As taxas foram mais baixas do que se estava à espera. Não só foram mais baixas do que as dos últimos leilões comparáveis como foram até inferiores àquilo que o mercado secundário está a registar", refere Filipe Silva, diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa.

“Este é um resultado que confirma o sentimento positivo dos investidores internacionais relativamente ao risco Portugal”, sublinha, por seu lado, Paula Carvalho, economista-chefe do BPI. A economista do BPI refere, ainda, que o país atingiu com estas operações “uma situação confortável no financiamento da República, cumprindo mais de 60% das necessidades brutas de financiamento estimadas para este ano”. Tendo em conta a liquidez disponível em finais de 2017 – uma almofada de €9,3 mil milhões -, “as necessidades para 2018 estão inclusive já satisfeitas”.

No prazo a 5 anos, o Tesouro pagou esta quarta-feira 0,529%, abaixo das yields no mercado secundário (que estão em 0,57%) e da taxa de 0,577% paga no leilão de fevereiro deste ano, que não é totalmente comparável, em virtude de se ter tratado, então, da linha de OT que vence em 2022. A procura foi 2,79 vezes superior. A 10 anos, pagou 1,67%, abaixo de 1,7% no mercado secundário e da taxa de 1,778% verificada no leilão anterior de 14 de março. Neste prazo mais longo, a procura foi 2,28 vezes superior.

Alemanha paga mais

Se o Tesouro português pagou menos, o Estado alemão pagou mais na operação de dívida que realizou esta quarta-feira. E teve um rácio de procura muito inferior.

O Tesouro germânico foi ao mercado realizar um leilão de Bunds (obrigações) a 30 anos, tendo colocado €1008 milhões junto de investidores, a quem pagou uma taxa de 1,26%, acima de 1,12% registada na operação similar anterior. A procura foi ligeiramente superior ao montante colocado.

Há expetativa no mercado em relação aos leilões de dívida a três, sete e 30 anos que o Tesouro italiano vai realizar na próxima sexta-feira, no meio de uma crise política.

  • O Tesouro realiza esta quarta-feira de manhã dois leilões de obrigações a 5 e 10 anos, podendo registar novos mínimos nas taxas de remuneração aos investidores. No entanto, o mercado da dívida da zona euro está a ser agitado pela crise política italiana e pelo regresso dos juros dos títulos dos EUA a próximo de 3%