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Dono da Altice está “confiante” na compra da TVI e tudo fará para não pagar coima de Bruxelas

Philippe Wojazer

Patrick Drahi, fundador da Altice, assegura que continua “muito confiante” na compra da Media Capital, dona da TVI. E afirma que tudo fará para não pagar a coima de 124,5 milhões de euros aplicada por Bruxelas no âmbito da aquisição da PT por violação das regras de Concorrência

“Estou sempre muito confiante, nada mudou a minha confiança e não depende de mim, não há nada a fazer a não ser esperar pela decisão” da Autoridade da Concorrência, disse Patrick Drahi, dono da Altice, aos jornalistas, à margem de uma cerimónia na Universidade Católica Portuguesa, esta terça-feira em Lisboa. Uma afirmação feita pouco dias depois de ter apresentado à Autoridade da Concorrência oito compromissos para ultrapassar os problemas de concorrência levantado pelo regulador

A Altice Portugal apresentou na semana passada um conjunto de compromissos à Autoridade da Concorrência (AdC), na sequência da investigação aprofundada que o regulador tem em curso ao negócio de compra da Media Capital pela MEO. Os oito compromissos foram avançados pelo Expresso na segunda-feira. “Vamos esperar pela decisão”, sublinhou Patrick Drahi, que esteve em Lisboa na sequência do lançamento do Centro Tecnológico de Inovação e de Empreendedorismo, lançado pela Universidade Católica, pareceria com a Fundação Patrick e Lina Drahi. O fundador da Altice diz-se “ muito satisfeito” com o investimento feito em Portugal, onde descobriu que a sua família de origem judaica tem raízes.

A Altice, recorde-se, anunciou a 14 de julho, dois anos depois de ter comprado a PT Portugal (Meo), que tinha chegado a acordo com a espanhola Prisa para a compra da Media Capital, dona da TVI, entre outros meios, uma operação avaliada em 440 milhões de euros.

Evitar pagar a coima

Quanto à coima de 125 milhões de euros aplicada recentemente pela Comissão Europeia, Patrick Drahi reafirmou que vai recorrer a tribunal para contestar a decisão.

"Faremos tudo o que for possível para não pagar", sublinhou. Disse ainda que discorda “completamente” da decisão de Bruxelas, e afirmou anos perceber como foram feitas as contas pela Direção Geral da Concorrência europeia para determinar o valor da coima. Em 24 de abril deste ano, a Comissão Europeia decidiu aplicar uma multa de 124,5 milhões de euros à Altice por esta ter concretizado a compra da operadora PT Portugal antes da autorização de Bruxelas, violando as regras comunitárias.

Sobre a venda das torres de comunicações da antiga Portugal Telecom, Drahi disse que o negócio ainda não está fechado, e que venda será feita se for oferecido um bom preço. Adiantou ainda que existe muito interesse, e que há interessados vindos “de todos os países do mundo". Frisou ainda que a venda de torres é uma tendência dos operadores móveis em todo o mundo, nomeadamente nos EUA. “O que estamos a vender são Infraestruturas. Mantemos o trabalho na rede e a independência de gestão mesma pela PT”.

O grupo Altice vai vender 13.000 torres de comunicações em França e em Portugal, das quais 3.000 no mercado português. O negócio é para concretizar durante a primeira metade deste ano. Drahi sublinhou ainda que ao contrário do que a imprensa francesa noticiou não está vendedor de nenhuma operação em França.