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Banco central argentino mantém taxa de juro em máximo

No mesmo dia em que o presidente Macri anunciou pedir apoio ao FMI, o banco central reconhece que a crise cambial não é um “episódio isolado”, mas fruto de “um choque mais profundo nos mercados emergentes”. O Banco decidiu manter a taxa diretora em 40%, a mais elevada do mundo

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco Central da República Argentina (BCRA) decidiu, na reunião de política monetária desta terça-feira, manter a taxa diretora em 40%, um máximo na história do banco central e a atualmente a mais elevada do mundo.

A comunicação do banco surge no mesmo dia em que o governo do presidente Mauricio Macri decidiu acorrer ao Fundo Monetário Internacional para negociações com vista a uma linha de financiamento que poderá rondar os 30 mil milhões de dólares (€25,3 mil milhões).

A situação é de emergência, face a uma crise cambial em desenvolvimento, reconhecida quer pelo governo como pelo banco central.

Recorde-se que, desde 27 de abril, o BCRA subiu a taxa diretora por três vezes, elevando-a de 27,25%, que vigorava desde outubro do ano passado, para 40% na sexta-feira passada. O banco realizou essas operações surpresa antes da própria reunião regular de política monetária, que se realizou hoje.

Este aumento brutal, de mais quase 13 pontos percentuais, da taxa de juro fixada pelo banco central, em menos de dez dias, é justificado por “um cenário de maior instabilidade nos mercados emergentes” que se conjugou com um quadro de inflação elevada que deverá situar-se, este ano, acima de 25%, um nível muito superior à meta “intermediária” de 15% fixada pelo banco central.

A Argentina mergulhou, nos últimos dias, em uma crise cambial, que obrigou o BCRA a usar medidas de emergência de aumento significativo da taxa diretora, depois de ter usado outras ferramentas, como a gestão da queda da taxa de câmbio e intervenções cambiais para conter a desvalorização do peso, em que ‘gastou’ 5 mil milhões de dólares (€ 4,2 mil milhões) das suas reservas que, em 25 de abril, somavam 59,4 mil milhões de dólares (€50 mil milhões).

Os banqueiros centrais argentinos reconhecem, agora, que enfrentam uma situação que reflete “um choque mais profundo nos mercados emergentes e não um episódio isolado de volatilidade nos mercados financeiros”. Esse choque deriva da normalização da política monetária da Reserva Federal dos Estados Unidos - com uma trajetória de subida de taxas diretoras e de encarecimento do custo do financiamento em dólares - e do impacto nos juros da dívida norte-americana, que se tornaram cada vez mais atrativos depois de se terem aproximado do limiar psicológico de 3%.

Em relação ao futuro próximo, no quadro de um cenário de maior instabilidade nos mercados emergentes e com a inflação acima do projetado, torna-se necessário que as taxas diretoras reais (descontando a inflação) se mantenham “significativamente mais altas do que as observadas antes das últimas mudanças”. Em suma, o BCRA vai manter as taxas em máximos.