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Novo projeto no Algarve custa €60 milhões

Arquiteto Miguel Saraiva desenha projeto. O ateliê Saraiva & Associados, do arquiteto Miguel Saraiva, foi o escolhido para fazer o projeto do empreendimento Bayline. Fundado em 1996, em Lisboa, hoje trabalha em quase todas as vertentes da arquitetura, incluindo o planeamento urbano, a sustentabilidade, o design e o design de interiores. Internacionalizou-se em 2008, quando o mercado nacional começou a arrefecer, e já está em 13 países, tendo ateliês na Argélia, Brasil, China, Cazaquistão, Colômbia, Emirados ou Singapura

Habitação O Bayline fica em Armação de Pera a 30 metros da praia dos Pescadores. É da Vanguard Properties e as obras começam em junho

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Olhe para a imagem. Repare bem no que está no lado direito. É isso mesmo: a praia. Esta é a principal característica do novo empreendimento que vai ser construído em Armação de Pera, no Algarve: estar mesmo em cima da praia. “Está a 30 metros, nem tanto. Isto não se encontra em lado nenhum”, conta ao Expresso, José Cardoso Botelho, o responsável da Vanguard Properties.

É esta a empresa que está a desenvolver este projeto de €60 milhões a que, propositadamente, chamou de Bayline que, traduzido à letra do inglês, significa “linha da baía”. Uma obra que, além da praia, fica também mesmo ao lado da ribeira de Alcantarilha e de uma lagoa conhecida localmente como Lagoa das Garças.

Contudo, apesar da localização privilegiada e do valor que ali vai ser investido, o Bayline não será um resort, mas sim um complexo residencial composto por seis edifícios de cinco a seis pisos e um total de 255 apartamentos de tipologias T1 a T3.

As obras arrancam já em junho deste ano, garante José Cardoso Botelho, mas dada a dimensão do projeto, só estarão concluídas em dezembro de 2020. Isto porque serão ainda construídas piscinas, campos de jogos, ginásio, SPA, estacionamento privativo e armazéns individuais.

Para lém dessas infraestruturas de apoio, “o projeto inclui a reabilitação da zona envolvente, que foi uma espécie de contrapartida que acordámos com a autarquia”, adianta ainda o responsável desta empresa de capitais franceses.

Vendas em junho ou julho

Apesar da duração das obras ser um pouco longa — 22 meses — a Vanguard pretende começar a vender os apartamentos em planta em junho ou julho deste ano. Aliás, de acordo com José Cardoso Botelho, até já podiam ter começado a vendê-los, porque “já há alguns interessados” mas, por norma, a empresa só avança para a comercialização de um empreendimento quando “já existe um projeto de arquitetura com os acabamentos pormenorizados” e o ateliê escolhido ainda está a trabalhar no projeto final.

“Não queremos mostrar algo que depois vai ser alterado. Para nós é muito importante que a nossa reputação não seja beliscada”, adianta.

Para já, além do exterior que já está definido, há outra coisa que é certa neste empreendimento: haverá grandes janelas para aproveitar bem a vista sobre o mar e a praia — que só existe a partir do primeiro andar — e ainda a vista sobre a lagoa.

Com todas estas características de topo os preços praticados oscilam entre os €3750 e os €6500 por metro quadrado.

Recuperar projeto falido

Antes de ser Bayline este empreendimento teve outra vida e outro nome. Chamava-se Aldeamento Lagoa das Garças e previa a construção dos mesmos seis edifícios com cinco a seis pisos, mas em vez de 255 eram 296 apartamentos.

O promotor era uma empresa chamada Almagarça que começou a desenvolver o projeto em 2008, tendo feito as fundações para quatro dos edifícios e ainda algumas lajes do primeiro andar.

Contudo, segundo conta Jorge Cardoso Botelho, os sócios dessa companhia tiveram “problemas fruto da crise” e o projeto ficou parado, levando as pessoas que já tinham comprado lá apartamentos — ainda em planta — a tentar, juridicamente, reaver o dinheiro.

Sabendo da história e, depois de analisado o projeto, a Vanguard decidiu negociar com o proprietário a compra do projeto pelo valor equivalente ao que as pessoas tinham pago pelas casas em planta. Contudo, o processo não foi fácil.

“Fechámos tudo a 20 de março deste ano. Demorou cinco meses e tivemos 30 pessoas na escritura porque havia 62 contratos-promessa realizados e nós devolvemos esse dinheiro todo aos compradores que, por esta altura, já pensavam que nunca mais iam ver esse dinheiro”.