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Quais os maiores riscos de 2018? Para as empresas são os ciberataques

KACPER PEMPEL / REUTERS

Dois quintos das empresas portuguesas aumentaram o seu orçamento para a gestão de riscos, conclui um estudo da Marsh apresentado esta quinta-feira. Ataques cibernéticos, instabilidade política ou social, retenção de talento e roubo ou fraude de dados são alguns dos desafios apontados

Ataques cibernéticos como os realizados no ano passado pelo Wannacry e Petya - vírus que aproveitavam vulnerabilidades nos sistemas operativos para instalar um software malicioso que bloqueava e encriptava o computador, exigindo um resgate - são o principal receio das empresas portuguesas em 2018. Mais de metade das 170 organizações portuguesas questionadas pela Marsh (57%) considera que os ciberataques são o principal risco que enfrentam este ano.

Estes são ataques que têm cada vez mais como alvo “infraestruturas críticas e sectores industriais estratégicos” provocando, no pior cenário, “um breakdown [colapso] dos sistemas”, sublinha a empresa líder em corretagem de seguros e soluções de gestão de risco, no estudo “A visão das empresas portuguesas sobre os riscos 2018”. Os resultados são esta quinta-feira apresentados na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

“Estes incidentes já foram considerados raros, mas neste momento são cada vez mais comuns e com elevados impactos, particularmente financeiros”, acrescenta a Marsh. Na verdade, é a primeira vez neste estudo que este tipo de ataques são considerados o maior risco das empresas: em 2016 e 2017, o maior risco era a instabilidade política ou social, que este ano desce para a segunda posição.

A estes seguem-se os eventos climáticos extremos (32% das empresas), a retenção de talentos (32%), a concorrência (28%) e, pela primeira vez no top 6, o roubo ou fraude de dados (19%). O estudo refere que este último risco, a par da transposição para Portugal do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) a 25 de maio, trazem desafios acrescidos.

Pela primeira vez, a crise financeira ou crises fiscais deixam de ser uma grande preocupação para as empresas, saindo do top 5, o que revela uma “confiança na melhoria da economia portuguesa”.

Maiores gastos na gestão de riscos

Cada vez mais alerta para a gestão de riscos, dois quintos das organizações portuguesas dizem que esta área tem uma importância elevada - que é igualmente notória nos gastos que as empresas têm com esta área.

Apenas 3% das empresas reconhece que o orçamento para a gestão de riscos diminuiu para 2018, valor que contrasta com aquelas que o mantiveram ou aumentaram. Cerca de dois quintos (41%) afirma que o valor orçamentado aumentou e 44% que este se manteve.

Agricultura e pescas, automóvel, aviação, comunicação, media e tecnologias, educação, energia, instituições financeiras, retalho, saúde e turismo são alguns dos 22 sectores das 170 empresas portuguesas questionadas pela Marsh. Destas, 29% tem uma faturação entre os €5 milhões e €50 milhões e outros 29% entre os €50 milhões e os €250 milhões. Mais de metade (52%) tem mais de 250 colaboradores e a maioria (82%) não está cotada em bolsa.