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Mulheres lideram apenas 8% das grandes empresas

Cargos de direção continuam a ser dos homens. Só nas áreas da qualidade e dos recursos humanos é que o comando feminino é mais notado

Não é novidade e não surpreende, mas vai contra a evolução que seria expectável. Apesar dos progressos nos últimos anos, a presença das mulheres em cargos de liderança e gestão nas empresas em Portugal continua muito distante da paridade. E quanto maior é a empresa, menor é a percentagem de liderança feminina. A conclusão é do estudo “Retrato da Gestão e dos Gestores em Portugal”, da Informa, que traça as mudanças estruturais no tecido empresarial português entre 2008 e 2016, contabilizando um universo de 304 mil empresas. Apesar de haver “uma subida generalizada da presença feminina nos diferentes patamares: emprego, equipas de gestão e liderança”, as mulheres lideram apenas 8% das grandes empresas em Portugal (12% nas médias, 18% nas pequenas e 29% nas micro).

Ao mesmo tempo, revela o estudo, as funções de direção executiva continuam a ser “maioritariamente desempenhadas por homens (74%)”, sendo o género feminino “mais elevado nas funções de direção de qualidade e recursos humanos”. “É na função de liderança da empresa que a representatividade feminina é menor”.

Recentemente, o Eurostat divulgou um estudo mostrando que Portugal foi o país da União Europeia (UE) em que o fosso salarial entre homens e mulheres mais cresceu entre 2011 e 2016. De acordo com o gabinete de estatísticas da UE, entre 2011 e 2016, o fosso salarial entre homens e mulheres em Portugal cresceu 4,6%, situando-se em 2016 nos 17,5%. Nenhum outro país supera este aumento. O mais próximo foi a Eslovénia, onde a diferença salarial subiu 4,5%.

Ainda assim, a média da UE caiu 0,6%, 16,2% em 2016, impulsionada sobretudo pelas descidas na Roménia (-4,4 pontos percentuais), na Hungria (-4 pontos) e em Espanha e Áustria (ambos com reduções de 3,4 pontos) e na Holanda (-3 pontos percentuais).

A nível europeu, ainda segundo os dados do Eurostat, os Estados-Membros que lideraram o 'ranking' da diferença de remuneração entre homens e mulheres em 2016 foram a Estónia (25,3%), a República Checa (21,8%), a Alemanha (21,5%), o Reino Unido (21,%) e a Áustria (20,1%).

E os homens?

O estudo da Informa revela ainda que os 398 mil gestores que existem em Portugal desempenham 504 mil funções de gestão, administração e direção. Ou seja, “88% dos gestores desempenham funções de gestão em apenas uma empresa e 2.673 gestores desempenham funções de gestão em mais de cinco empresas”.

Em termos de responsabilidades das equipas de gestão, o estudo conclui que, nas grandes e médias empresas, “5% dos gestores são responsáveis por dois terços do volume de negócios do tecido empresarial e 77% das exportações”. Nas pequenas e micro empresas, “95% dos gestores são responsáveis por 63% do emprego”.

Outra conclusão é a de que a percentagem de gestores que detém capital das empresas diminui à medida que a dimensão do negócio aumenta. “Quanto maior é a empresa, menor é a participação dos gestores no seu capital. Nas micro empresas, 86% dos seus gestores são igualmente sócios / acionistas. Ao contrário, as grandes empresas, apenas 1% dos gestores são detentores de capital”.

Das empresas estrangeiras com presença em Portugal, 51% são lideradas por gestores nacionais. “Existem distintos graus de confiança nas lideranças nacionais entre as principais nacionalidades de investidores em Portugal - destacam-se os Estados Unidos e o reino com respetivamente 75% e 57% de líderes de nacionalidade portuguesa”, lê-se no estudo. De referir ainda que “4% dos gestores das empresas de capital português são estrangeiros”.