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Bial: Costa lança, Costa inaugura e terceiro medicamento em preparação

A Bial, presidida por António Portela, é a empresa portuguesa que mais investe em Investigação & Desenvolvimento

Rui Duarte Silva

A farmacêutica da família Portela prepara o lançamento para a próxima década de um novo medicamento para a hipertensão pulmonar arterial. Para já, os esforços estão concentrados na comercialização do Ongentys (doença da Parkinson)

Um ano e três meses depois, o primeiro-ministro António Costa regressa esta terça-feira à unidade da farmacêutica Bial, na Trofa.

Da primeira vez, assinalou o lançamento das obras de ampliação e renovação, no âmbito de um contrato de investimento (37,4 milhões de euros) celebrado com o Estado para estimular a capacidade de investigação do novos medicamentos no domínio dos sistemas nervoso central e cardiovascular.

Na altura, o primeiro-ministro acentuou o "efeito estruturante" do investimento e apontou o "modelo Bial" como uma receita virtuosa por combinar "inovação científica, tecnologia de vanguarda e caráter exportador". Esta terça-feira, Costa testemunhará a conclusão das obras que duplicam a área laboratorial (custo de 5 milhões de euros) e o equipamento já instalado, confirmando que a empresa é um bom exemplo de "aplicação de incentivos e fundos comunitários por gerar valor acrescentado, emprego e exportações", como salienta o presidente da Bial. António Portela.

Dois medicamentos no mercado

O centro de Investigação & Desenvolvimento (I&D) acolhe 104 investigadores de oito nacionalidades. O contrato de investimento válido até ao fim de 2019, no âmbito do Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, permite à Bial acelerar a pesquisa de novas moléculas e reforçar a sua dotação em I&D que, em média, representa 50 milhões de euros por ano.

Nos últimos 25 anos, a farmacêutica da família Portela sintetizou mais de 12 mil novas moléculas, mas só seis delas frutificaram – duas delas conduziram a novos medicamentos de raiz portuguesa na área do sistema nervoso central (epilepsia e Parkinson) e há uma terceira numa fase mais avançada de desenvolvimento. A Bial "só patenteia quando tem um grau de certeza de que podem funcionar", diz António Portela.

O terceiro medicamento destina-se à hipertensão pulmonar arterial e está já na fase de ensaios clínicos. Mas, só chegará ao mercado depois de 2020,

Numa indústria marcada por gigantes globais e investimentos enormes, a pequena Bial pertence ao restrito clube das empresas que desenvolvem novos medicamentos – na Europa, na última década, só 27 empresas conseguiram tal feito.

A prioridade atual da farmacêutica reside no lançamento do Ongentys (Parkinson), preparando a sua entrada no Estados Unidos e no Japão. O antiepiléptico Zebinix está disponível em mais de 40 mercados.

À espera do Infarmed

Quando em janeiro de 2017 António Costa visitou a Bial, a farmacêutica já tinha no circuito de aprovações do Infarmed o Ongentys, para doentes de Parkinson. E por lá continua, apesar de já estar aprovado nos principais mercados europeus, como Alemanha ou Reino Unido.

Um aparente paradoxo que António Portela desvaloriza. "Claro que gostaria que já estivesse disponível, mas o processo segue a tramitação normal", referiu ao Expresso há três meses.

A venda em Portugal tem uma carga mais simbólica do que comercial, dada a dimensão do mercado. Mas, é um fator de desconforto no momento em que a Bial tenta aprovar o medicamento junto de reguladores de outros países.

O assunto Ongentys não será tema de conversa com o primeiro-ministro. Na agenda, estará apenas o programa de I&D da Bial, o compromisso com a inovação e a sua vocação para desenvolver, a partir de Portugal, novas medicamentos e acelerar a expansão internacional.

Sistemas nervoso central e cardiovascular

Duplicando o espaço de I&D e mobilizando novos investigadores, a Bial "aumenta a probabilidade de ter novos sucessos terapêuticos". O foco está nos medicamentos para o sistema nervoso central e cardiovascular.

O rumo segue inalterado: fazer da pequena Bial uma farmacêutica de dimensão mundial, desafiando os gigantes do sector. António Portela sente que a Bial é "acarinhada e reconhecida" em Portugal e por isso "há uma afetividade inerente".

A presença de António Costa confirma este reconhecimento. O país "tem todas as condições" para uma empresa de vocação global no setor farmacêutico prosperar.

Em 2017, a Bial faturou 260 milhões de euros (+12%), fazendo no exterior dois terços do negócio. Produz 50 medicamentos e vende em 58 mercados.


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